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A Nvidia, empresa mais valiosa do mundo em capitalização de mercado, reportou resultados financeiros do quarto trimestre fiscal que superaram todas as expectativas do mercado. O desempenho robusto, divulgado na quarta-feira (26), demonstra que o impulso do boom da inteligência artificial não perdeu força. A companhia também começou a enviar as primeiras amostras de seus novos chips de próxima geração, batizados de Vera Rubin, para clientes selecionados.

Os números positivos chegam em um momento delicado para as ações ligadas à IA, que recentemente mostraram sinais de fadiga. Além dos resultados, o CEO Jensen Huang utilizou a teleconferência com analistas para posicionar a Nvidia como o centro do ecossistema de IA, anunciando parcerias e investimentos bilionários.

Resultados financeiros e previsão otimista

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A fabricante de chips superou as projeções de Wall Street em todas as frentes no trimestre encerrado em janeiro. A receita e o lucro por ação ultrapassaram as estimativas dos analistas. Mais significativo, a previsão de receita para o trimestre atual também sailou além das expectativas do mercado, acalmando os nervos dos investidores preocupados com uma possível desaceleração.

Durante a chamada de resultados, a diretora financeira Colette Kress confirmou o início das entregas das amostras do Vera Rubin. "Entregamos nossas amostras iniciais do Vera Rubin no início desta semana", afirmou Kress, acrescentando que as remessas mais amplas dos novos chips devem começar na segunda metade de 2026. "Esperamos que todo construtor de modelos na nuvem implante o Vera Rubin", completou.

Parcerias e investimentos para dominar a plataforma

O CEO Jensen Huang repetidamente enfatizou o papel central da Nvidia na indústria. Ele revelou que o mais recente modelo Codex da OpenAI é treinado e executado nos sistemas Blackwell da Nvidia e que as empresas estão próximas de fechar uma parceria multibilionária. A Meta também está implantando GPUs da Nvidia em sua busca pela superinteligência.

Além disso, a Nvidia anunciou um investimento de até US$ 10 bilhões na Anthropic, uma startup de IA. Huang deixou claro que o objetivo estratégico é garantir que todas as formas de IA, de grandes modelos de linguagem à robótica, sejam construídas sobre sua plataforma. "Queremos aproveitar a grande oportunidade que temos, já que estamos no início desta nova era de computação, para colocar todos na Nvidia", declarou Huang.

Integração da Groq e futuro da arquitetura

Questionado sobre a possibilidade de a Nvidia desenvolver chips personalizados para cargas de trabalho específicas, Huang afirmou que a empresa prefere manter o máximo possível dentro de um único design. No entanto, ele sugeriu uma movimentação significativa envolvendo a Groq, prometendo mais detalhes na conferência GTC da Nvidia, em março.

No final do ano passado, a Nvidia firmou um acordo de licenciamento não exclusivo com a Groq por sua tecnologia de inferência de IA de baixa latência – um acordo que também trouxe o fundador da Groq e outros engenheiros de alto nível para a Nvidia. "O que faremos é estender nossa arquitetura com a Groq como um acelerador, de maneira muito similar à forma como estendemos a arquitetura da Nvidia com a Mellanox", explicou Huang, referindo-se à empresa de rede adquirida em 2020.

Desafios de infraestrutura e alertas de risco

Apesar do otimismo, a Nvidia demonstrou preocupação com a capacidade de infraestrutura para sustentar a demanda. Em seu mais recente relatório 10-K arquivado na SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA), a empresa listou a disponibilidade de data centers, energia e capital para apoiar a expansão como um fator de risco.

"Qualquer escassez desses e de outros recursos necessários poderia impactar nossa receita futura e desempenho financeiro", alertou a empresa no documento. A Nvidia destacou que a expansão da capacidade energética é um "processo complexo e plurianual, envolvendo desafios regulatórios, técnicos e de construção significativos", e que o acesso a capital pode ser restrito para empresas menos capitalizadas.

Próximos passos e contexto futuro

Com o envio das amostras do Vera Rubin, a Nvidia inicia a fase de testes com seus principais clientes. Huang havia antecipado em janeiro, na Consumer Electronics Show, que o Rubin oferece mais que o triplo da velocidade e pode executar inferência cinco vezes mais rápido que o modelo Blackwell anterior, com eficiência energética significativamente maior.

A estratégia de investimentos da empresa, que inclui o acordo com a OpenAI, visa fortalecer o ecossistema de IA e assegurar que a próxima geração de software e hardware seja construída sobre a plataforma Nvidia. A parceria com a OpenAI, cujos termos finais estão sendo finalizados, foi inicialmente delineada em 2025 como parte de uma maciça iniciativa de infraestrutura de IA que pode chegar a US$ 100 bilhões.