A Paramount Global apresentou uma nova oferta para adquirir toda a Warner Bros. Discovery (WBD) por US$ 31 por ação, superando a proposta anterior da Netflix e conquistando a atenção do conselho da empresa-alvo. A oferta revisada, comunicada aos acionistas na terça-feira, inclui uma garantia financeira do bilionário Larry Ellison e o reembolso de uma possível multa de rescisão com a Netflix.
O conselho da WBD avaliou que a proposta da Paramount "poderia razoavelmente ser esperada" para resultar em uma oferta superior à da Netflix, mas ainda não determinou se ela é de fato melhor. Caso faça essa determinação, a Netflix terá quatro dias para apresentar uma contraproposta melhorada se quiser permanecer na disputa.
Detalhes da oferta e pressão sobre a Netflix
A nova oferta da Paramount representa um aumento em relação aos US$ 30 por ação de suas propostas públicas anteriores. Além do preço por ação, a empresa incluiu uma chamada "taxa de compensação" ("ticking fee"), que pagará aos acionistas da WBD US$ 0,25 por ação a cada trimestre em que o acordo não for concluído, com início em 30 de setembro. Originalmente, esse benefício só começaria em janeiro de 2027.
A Netflix havia oferecido US$ 27,75 por ação apenas pelos ativos de streaming e estúdio da WBD, excluindo os canais de TV a cabo como CNN e TruTV. A permanência na disputa agora depende de sua decisão de aumentar a oferta nos próximos dias.
Garantias financeiras e temor de cortes de emprego
Propostas anteriores da Paramount foram criticadas pelo conselho da WBD devido a questões como a garantia de capital e a relutância inicial em cobrir custos como a multa de rescisão para a Netflix. Essas objeções foram sanadas com uma garantia pessoal de Larry Ellison, pai do CEO da Paramount, David Ellison, e com o acordo de reembolsar qualquer pagamento de rescisão devido à Netflix.
A WBD alertou na semana passada sobre a possibilidade de uma fuga de funcionários caso aceitasse a oferta da Paramount, já que os empregados temeriam os cortes massivos de empregos prometidos pela empresa aos investidores. A Paramount projetou economias de US$ 6 bilhões com a aquisição, enquanto a Netflix afirmou que seu acordo poderia criar sinergias de US$ 2 a US$ 3 bilhões e "proteger e criar empregos na América".
O cenário regulatório e as declarações políticas
Outro fator pivotal na batalha pela Warner Bros. é o processo regulatório, tanto nos EUA quanto no exterior. O ex-presidente Donald Trump emitiu sinais mistos sobre a aquisição planejada pela Netflix, dizendo inicialmente que a participação de mercado da empresa "poderia ser um problema", antes de se comprometer a ficar fora do processo.
Um porta-voz da Casa Branca afirmou à Business Insider que o presidente "tem ótimos relacionamentos com todas as partes nesta transação potencial e permanece neutro neste processo, sem preferência por nenhum licitante". Dias depois, Trump sugeriu que a Netflix deveria remover Susan Rice de seu conselho "ou pagar as consequências", uma reclamação que o co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, minimizou, afirmando que a oferta pela Warner Bros. "não é um acordo político".
Próximos passos e cenário para os acionistas
A Paramount sempre acreditou que suas ofertas pela WBD eram melhores que as da Netflix, argumentando que os canais de TV a cabo da empresa-alvo têm pouco valor após contabilizar a dívida que carregam. A Netflix, por sua vez, vendeu seu acordo como mais simples e melhor para Hollywood.
Com a nova proposta da Paramount sobre a mesa, os acionistas da Warner Bros. Discovery se encontram em uma situação potencialmente vantajosa, aguardando a possível guerra de lances entre as duas gigantes do entretenimento. A decisão final do conselho da WBD é agora o elemento central para definir o futuro da empresa.