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O pinguim-imperador, a maior espécie de pinguim do mundo, foi oficialmente classificado como ameaçado de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A decisão, anunciada nesta quarta-feira (10), vem após uma série de eventos de mortalidade catastrófica de filhotes, causados pelo colapso prematuro do gelo marinho na Antártida devido ao aquecimento global.

Essas aves dependem do chamado "gelo fixo" – uma camada sólida presa ao continente – para se reproduzir e trocar de penas. Os filhotes nascem nesse ambiente e precisam dele por cerca de nove meses, até desenvolverem penas impermeáveis. A ruptura antecipada do gelo, no entanto, tem lançado colônias inteiras no oceano, levando ao afogamento em massa.

Eventos catastróficos se repetem

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Casos recentes ilustram a gravidade da crise. Em 2022, quatro das cinco colônias conhecidas no Mar de Bellingshausen desapareceram, resultando na morte de milhares de filhotes. Um episódio semelhante já havia ocorrido em 2016 no Mar de Weddell. "É difícil imaginar a quantidade de filhotes morrendo", afirmou Peter Fretwell, do British Antarctic Survey. A cientista Barbara Wienecke classificou a situação como "horrenda" e "extremamente angustiante".

A extensão do gelo marinho na Antártida atinge níveis mínimos históricos desde 2016. Quando o gelo se rompe antes do tempo, os filhotes, incapazes de nadar, se afogam. Mesmo os que escapam da água morrem congelados, pois suas penas ainda não são impermeáveis.

Projeção alarmante para o futuro

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A projeção da IUCN é de que a população de pinguins-imperadores pode cair pela metade até a década de 2080. Atualmente, estima-se que existam cerca de 595 mil indivíduos adultos, número que já representa uma queda de 10% entre 2009 e 2018. A espécie saltou duas categorias na lista de risco, passando de "quase ameaçado" para "ameaçado".

O ecologista marinho Philip Trathan é direto ao apontar a causa: "A principal ameaça é a mudança climática causada pelo ser humano". Martin Harper, da BirdLife International, reforça que a mudança de status é "um sinal claro de que a crise de extinção está se acelerando diante dos olhos do mundo".

Impacto em cadeia no ecossistema

O pinguim-imperador não está sozinho na crise. O mesmo estudo da IUCN aponta que a população de focas-peludas-antárticas foi reduzida pela metade desde 2000, também levando a espécie à classificação de ameaçada. O motivo é a diminuição do krill, principal fonte de alimento, que migra para águas mais profundas e frias. Estima-se que restem cerca de 944 mil focas-peludas adultas em 2025.

Outra espécie emblemática, a foca-elefante-do-sul, enfrenta surtos de gripe aviária desde 2020, que já mataram mais de 90% dos filhotes em algumas colônias.

Caminhos para a preservação

Organizações ambientais afirmam que o destino desses animais depende de ações imediatas. Reduzir drasticamente as emissões de carbono é considerado o único caminho para conter o aquecimento global e estabilizar as plataformas de gelo. Há também pressão para que o pinguim-imperador receba status de espécie especialmente protegida em reuniões internacionais, o que poderia fortalecer medidas de conservação.

Enquanto medidas globais efetivas não são tomadas, os cientistas alertam que o cenário na Antártida continuará a se deteriorar, com eventos de mortalidade em massa se tornando cada vez mais frequentes e colocando em risco todo o frágil ecossistema polar.