A Polícia Civil de Santa Catarina finalizou, na sexta-feira (20), novas apurações complementares solicitadas pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) no caso dos maus-tratos aos cães Orelha e Caramelo, ocorridos na Praia Brava, em Florianópolis. Entre as diligências está o laudo da exumação do corpo de Orelha, que foi enviado para análise das promotorias.
O material será examinado pela 10ª Promotoria de Justiça da Capital, na área da Infância e Juventude, e pela 2ª Promotoria de Justiça da Capital, na área criminal. A polícia informou que as novas medidas "reforçam e corroboram as conclusões iniciais dos procedimentos policiais".
Escopo das novas investigações
Além das 35 novas medidas determinadas pelo MPSC, outros 26 atos de investigação foram realizados, totalizando 61 diligências. 15 policiais civis e cinco peritos participaram diretamente dessas etapas. O conteúdo específico dos documentos não foi divulgado.
O MPSC havia solicitado o aprofundamento da investigação em 10 de fevereiro, incluindo a exumação para novo exame. A 2ª Promotoria também pediu novos depoimentos para verificar possíveis ameaças contra testemunhas e que o processo voltasse a tramitar em sigilo, devido à participação de adolescentes.
Andamento processual e responsabilizações
No inquérito anterior, a Polícia Civil pediu a internação de um adolescente pela morte de Orelha e indiciou três adultos – pais de dois dos adolescentes e tio de um deles – por coação de testemunha. No caso de Caramelo, que sobreviveu, quatro adolescentes foram responsabilizados por ato infracional.
Ao todo, oito adolescentes foram investigados. Os nomes não são divulgados, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Contexto do crime
Orelha era um cão comunitário de cerca de 10 anos que vivia na Praia Brava. Ele foi gravemente agredido por quatro adolescentes no dia 4 de janeiro e, devido à extensão dos ferimentos, foi submetido à eutanásia no dia seguinte. O caso ganhou grande repercussão nacional.
No mesmo episódio, o cão Caramelo também teria sido vítima de maus-tratos pelo grupo. O iG procurou o MPSC para confirmar o andamento da análise dos novos documentos, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.