Preso por difamar quem o perseguiu: o drama do jornalista que Zambelli caçou com arma

Preso por difamar quem o perseguiu: o drama do jornalista que Zambelli caçou com arma

Justiça decreta prisão de Luan Araújo por ofender ex-deputada; entenda a reviravolta no caso que chocou o país

Você se lembra da cena que parou o Brasil? Uma deputada federal correndo atrás de um jornalista com uma pistola em punho, em plena véspera do segundo turno das eleições de 2022. Pois é. Quase três anos depois, a história teve uma reviravolta que ninguém esperava: quem foi perseguido agora está sendo preso.

O juiz José Fernando Steinberg, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), determinou a prisão em regime aberto do jornalista Luan Araújo. O motivo? Uma condenação por difamação contra Carla Zambelli — a mesma ex-deputada que o perseguiu com uma arma.

O que ele disse que custou sua liberdade?

No processo, a Justiça entendeu que Luan ofendeu a honra da ex-parlamentar ao chamá-la de "extrema direita mesquinha, maldosa e mercadora da morte" em um texto publicado na internet. A condenação incluiu o pagamento de uma multa — que, segundo o próprio jornalista, nunca foi quitada.

"Considero uma injustiça", desabafou Luan nas redes sociais, onde voltou a relatar as dificuldades financeiras e emocionais que enfrenta desde o episódio que o tornou conhecido nacionalmente.

Uma ironia cruel: a vítima que virou réu

Enquanto Luan se prepara para cumprir a pena, Carla Zambelli vive em liberdade na Itália. A ex-deputada foi condenada pelo STF a 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal — justamente pelo caso da perseguição armada. Depois, levou mais 10 anos por invadir sistemas do CNJ.

Mas ela está foragida. A Justiça italiana, em maio deste ano, negou a extradição e mandou soltá-la. Hoje, ela responde em liberdade na Europa.

O drama financeiro de quem enfrentou o poder

Meses antes da decisão, Luan precisou apelar a uma vaquinha virtual para juntar R$ 35 mil e pagar custas processuais de uma ação em que pede indenização de R$ 2 milhões contra a ex-deputada. A Justiça negou o benefício da gratuidade judicial, e ele afirmou não ter condições de arcar com os custos.

Até a publicação desta reportagem, a arrecadação tinha chegado a pouco mais de R$ 31 mil — ainda abaixo da meta.

O jornalista também revelou que o caso teve impactos profundos em sua saúde mental e vida profissional. Quase quatro anos depois, o fantasma daquele 29 de outubro de 2022 ainda o assombra.

O que vem agora?

A prisão em regime aberto significa que Luan não ficará atrás das grades, mas terá que cumprir restrições — como recolhimento noturno e uso de tornozeleira eletrônica. O caso expõe uma pergunta incômoda: como a Justiça trata quem ousa enfrentar o poder armado?

Enquanto a ex-deputada que sacou uma pistola contra um jornalista vive livre na Itália, o jornalista que a chamou de "mercadora da morte" se prepara para ser preso. A história ainda não terminou.

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há 5 minutos

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