Shopee lidera preferência de consumo em favelas brasileiras, aponta estudo
Mercado de R$ 167 bilhões nas comunidades prioriza marcas que constroem pertencimento, com Mercado Livre em segundo lugar.
A Shopee é a marca de varejo online mais bem avaliada pelos moradores de favelas e comunidades urbanas do Brasil, superando concorrentes como Mercado Livre e Amazon em um estudo que mapeia o consumo nesse mercado, cujo potencial é estimado em R$ 167 bilhões. A pesquisa "Tracking de Marcas da Favela", realizada pela empresa de inteligência Nós, indica que, em 2026, o consumo nesse universo tende a ser mais orientado à construção de pertencimento, uma virada no comportamento do consumidor.
O estudo avaliou 20 sites de varejistas online em relação a dez atributos, como confiança, valorização da diversidade, qualidade e identificação. Em todos os recortes, a plataforma chinesa Shopee ficou em primeiro lugar, seguida pelo Mercado Livre. A Amazon apareceu nove vezes em terceiro e uma em quarto lugar. Magalu, Shein e Casas Bahia completaram as marcas que mais apareceram no Top 5 das categorias.
Potencial econômico e perfil demográfico
Segundo o Censo 2022 do IBGE, 16,4 milhões de pessoas vivem em 12.348 favelas e comunidades urbanas no país, o que corresponde a 8,1% da população brasileira. Esse contingente seria o terceiro maior estado do Brasil, atrás apenas de São Paulo (44,4 milhões) e Minas Gerais (20,5 milhões). Em 2010, eram 6.329 favelas com 11,4 milhões de habitantes (6% da população).
As quatro maiores favelas do país são a Rocinha, no Rio de Janeiro (72.021 moradores); Sol Nascente, em Brasília (70.908); Paraisópolis, em São Paulo (58.527); e Cidade de Deus/Alfredo Nascimento, em Manaus (55.821).
Líderes em outras categorias de consumo
Além do varejo online, o estudo da Nós avaliou marcas em nove outras categorias, medindo a lealdade pelo critério NPS (Net Promoter Score). Os líderes em cada segmento foram:
Alimentos: Nestlé (65,2%) e Cacau Show (64,6%).
Bancos & Serviços Financeiros: Nubank (66,4%) e Mercado Pago (57,0%).
Bebidas Alcoólicas: Corona (54,1%) e Budweiser (51,1%).
Bebidas Não Alcoólicas: Coca-Cola (61,8%) e Guaraná Antarctica (47,7%).
Entretenimento Online: WhatsApp (70,6%) e Spotify (67,6%).
Materiais de Construção: Tigre (75,1%) e Suvinil (70,3%).
Materiais de Limpeza: Downy (75,1%) e Veja (72,2%).
Operadoras de Telefonia: Algar (50,0%) e Claro (39,6%).
Contexto e projeções de mercado
O estudo da Nós estima o potencial de consumo nas favelas em R$ 167 bilhões. Outra pesquisa, do Data Favela, projeta que o movimento financeiro total nesses locais pode chegar a R$ 300 bilhões. A liderança da Shopee no varejo online reflete a busca por marcas que facilitam a vida e com as quais o consumidor se identifica, atributos que se tornaram centrais para o público das comunidades.
A pesquisa contínua da Nós monitora a relação das marcas com os moradores de favelas, um mercado em crescimento e amadurecimento, mas ainda pouco compreendido por parte das empresas, apesar de seu tamanho e poder de consumo significativos.
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