CEO da Warner Bros. Discovery defende fusão com Paramount após acordo com Netflix fracassar

CEO da Warner Bros. Discovery defende fusão com Paramount após acordo com Netflix fracassar

David Zaslav afirma que união é crucial para sobrevivência da empresa diante de gigantes como YouTube e Netflix.

Redação
Redação

27 de fevereiro de 2026

O CEO da Warner Bros. Discovery (WBD), David Zaslav, defendeu a fusão com a Paramount Global em uma reunião interna com funcionários na manhã de sexta-feira, dias após a empresa ter encerrado negociações com a Netflix. Em um áudio obtido pelo *Business Insider*, Zaslav afirmou que a união é necessária para que a WBD sobreviva em um mercado dominado por gigantes.

"Juntos, podemos ser uma grande empresa", disse Zaslav na chamada. "Não é fácil, mas estamos ficando maiores e mais fortes. E vocês são a inveja de todos neste negócio."

Mudança de rumo e valor da transação

A Paramount anunciou oficialmente na sexta-feira a oferta vencedora para adquirir toda a Warner Bros. Discovery por US$ 31 por ação em dinheiro, o que confere à WBD um valor de equity de aproximadamente US$ 81 bilhões. A oferta foi aprovada pelos conselhos de ambas as empresas e a transação deve ser concluída no início da primavera no hemisfério norte.

O acordo representa uma mudança de direção. No final do ano passado, a WBD havia concordado em vender seu estúdio e os ativos da HBO para a Netflix por US$ 27,75 por ação. Em dezembro, a Paramount lançou uma oferta rival de US$ 30 por ação por toda a empresa, incluindo suas redes de TV a cabo.

Zaslav admitiu que a decisão de mudar do acordo com a Netflix para a oferta da Paramount "tudo aconteceu muito rapidamente". "Para nós, a velocidade — parece um pouco de whiplash", disse, acrescentando que ele e o conselho da WBD ainda estão "se orientando".

Estratégia de sobrevivência e panorama do streaming

O executivo foi enfático ao vincular a fusão à sobrevivência da empresa. "Se a Warner Bros. vai sobreviver, então precisávamos ser maiores e precisávamos ser globais", afirmou Zaslav. Ele destacou que "algumas dessas empresas estão ficando tão grandes que podem simplesmente nos atropelar", citando a Alphabet, controladora do YouTube, que teve US$ 402 bilhões em receita no ano passado, contra US$ 37,3 bilhões da WBD.

A fusão criaria um conglomerado de mídia com uma base significativa de assinantes de streaming. A WBD tinha 131,6 milhões de assinantes no HBO Max e Discovery+ no último trimestre, enquanto a Paramount+ registrou 78,9 milhões de assinantes pagos no final de 2025. Juntas, as empresas teriam uma participação combinada de cerca de 3,7% nas TVs dos EUA em janeiro, segundo a Nielsen, ainda bem abaixo dos 8,8% da Netflix e dos 12,5% do YouTube.

Além dos streamers, a Paramount herdaria os ativos de TV a cabo da WBD, que incluem a CNN, TNT e HGTV, somando-se à sua própria rede de transmissão CBS e canais a cabo como MTV e VH1.

Contexto regulatório e possível taxa de rescisão

A fusão ainda precisa de aprovação regulatória nos EUA e no exterior, um processo que Zaslav disse que pode levar de seis a 18 meses. "O acordo pode não fechar", alertou o CEO. "Se não fechar, recebemos US$ 7 bilhões e voltamos ao trabalho", acrescentou, referindo-se à taxa de rescisão que a Paramount concordou em pagar se a transação não for aprovada.

Bruce Campbell, diretor de receita e estratégia da WBD, explicou que a empresa passou por um "processo de revisão estratégica rigoroso e completo" e tinha a obrigação legal de avaliar ofertas não solicitadas que pudessem trazer mais valor aos acionistas.

Repercussão política e preocupações internas

O acordo ocorre em um contexto de comentários políticos. O ex-presidente Donald Trump elogiou publicamente David Ellison, CEO da Paramount e filho do cofundador da Oracle, Larry Ellison — um grande apoiador de Trump —, chamando-o de "ótimo" e dizendo que ele estava fazendo um "ótimo trabalho".

Internamente, a possibilidade de fusão gerou preocupações. Na semana passada, o conselho da WBD alertou seus acionistas sobre um possível êxodo de funcionários se aceitasse o acordo da Paramount, citando os US$ 6 bilhões em economias de custos que a empresa de Ellison planejava obter. A Netflix havia dito que planejava economias de US$ 2 bilhões a US$ 3 bilhões com seu acordo. Zaslav não mencionou possíveis cortes de empregos na reunião de sexta-feira.

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