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O CEO da Warner Bros. Discovery (WBD), David Zaslav, defendeu a fusão com a Paramount Global em uma reunião interna com funcionários na manhã de sexta-feira, dias após a empresa ter encerrado negociações com a Netflix. Em um áudio obtido pelo *Business Insider*, Zaslav afirmou que a união é necessária para que a WBD sobreviva em um mercado dominado por gigantes.

"Juntos, podemos ser uma grande empresa", disse Zaslav na chamada. "Não é fácil, mas estamos ficando maiores e mais fortes. E vocês são a inveja de todos neste negócio."

Mudança de rumo e valor da transação

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A Paramount anunciou oficialmente na sexta-feira a oferta vencedora para adquirir toda a Warner Bros. Discovery por US$ 31 por ação em dinheiro, o que confere à WBD um valor de equity de aproximadamente US$ 81 bilhões. A oferta foi aprovada pelos conselhos de ambas as empresas e a transação deve ser concluída no início da primavera no hemisfério norte.

O acordo representa uma mudança de direção. No final do ano passado, a WBD havia concordado em vender seu estúdio e os ativos da HBO para a Netflix por US$ 27,75 por ação. Em dezembro, a Paramount lançou uma oferta rival de US$ 30 por ação por toda a empresa, incluindo suas redes de TV a cabo.

Zaslav admitiu que a decisão de mudar do acordo com a Netflix para a oferta da Paramount "tudo aconteceu muito rapidamente". "Para nós, a velocidade — parece um pouco de whiplash", disse, acrescentando que ele e o conselho da WBD ainda estão "se orientando".

Estratégia de sobrevivência e panorama do streaming

O executivo foi enfático ao vincular a fusão à sobrevivência da empresa. "Se a Warner Bros. vai sobreviver, então precisávamos ser maiores e precisávamos ser globais", afirmou Zaslav. Ele destacou que "algumas dessas empresas estão ficando tão grandes que podem simplesmente nos atropelar", citando a Alphabet, controladora do YouTube, que teve US$ 402 bilhões em receita no ano passado, contra US$ 37,3 bilhões da WBD.

A fusão criaria um conglomerado de mídia com uma base significativa de assinantes de streaming. A WBD tinha 131,6 milhões de assinantes no HBO Max e Discovery+ no último trimestre, enquanto a Paramount+ registrou 78,9 milhões de assinantes pagos no final de 2025. Juntas, as empresas teriam uma participação combinada de cerca de 3,7% nas TVs dos EUA em janeiro, segundo a Nielsen, ainda bem abaixo dos 8,8% da Netflix e dos 12,5% do YouTube.

Além dos streamers, a Paramount herdaria os ativos de TV a cabo da WBD, que incluem a CNN, TNT e HGTV, somando-se à sua própria rede de transmissão CBS e canais a cabo como MTV e VH1.

Contexto regulatório e possível taxa de rescisão

A fusão ainda precisa de aprovação regulatória nos EUA e no exterior, um processo que Zaslav disse que pode levar de seis a 18 meses. "O acordo pode não fechar", alertou o CEO. "Se não fechar, recebemos US$ 7 bilhões e voltamos ao trabalho", acrescentou, referindo-se à taxa de rescisão que a Paramount concordou em pagar se a transação não for aprovada.

Bruce Campbell, diretor de receita e estratégia da WBD, explicou que a empresa passou por um "processo de revisão estratégica rigoroso e completo" e tinha a obrigação legal de avaliar ofertas não solicitadas que pudessem trazer mais valor aos acionistas.

Repercussão política e preocupações internas

O acordo ocorre em um contexto de comentários políticos. O ex-presidente Donald Trump elogiou publicamente David Ellison, CEO da Paramount e filho do cofundador da Oracle, Larry Ellison — um grande apoiador de Trump —, chamando-o de "ótimo" e dizendo que ele estava fazendo um "ótimo trabalho".

Internamente, a possibilidade de fusão gerou preocupações. Na semana passada, o conselho da WBD alertou seus acionistas sobre um possível êxodo de funcionários se aceitasse o acordo da Paramount, citando os US$ 6 bilhões em economias de custos que a empresa de Ellison planejava obter. A Netflix havia dito que planejava economias de US$ 2 bilhões a US$ 3 bilhões com seu acordo. Zaslav não mencionou possíveis cortes de empregos na reunião de sexta-feira.