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Imagine ter acesso a informações ultrassecretas sobre uma das operações militares mais delicadas da história recente. Agora, imagine usar esses dados para lucrar — e ainda tentar esconder o rastro.

Foi exatamente isso que Gannon Ken Van Dyke, um soldado das forças especiais envolvido na captura de Nicolás Maduro, é acusado de fazer. E o palco desse crime? A plataforma de apostas Polymarket.

O plano que deu errado

Van Dyke participou do planejamento e da execução da Operação Resolução Absoluta, a estratégia que derrubou e capturou o líder venezuelano. Mas, segundo autoridades dos EUA, ele não se limitou a cumprir sua missão.

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Entre dezembro de 2025 e janeiro deste ano, o militar teria feito 13 apostas na Polymarket, totalizando cerca de US$ 33 mil. As perguntas eram diretas: "Forças dos EUA na Venezuela até 31 de janeiro de 2026?" e "Maduro fora do poder até 31 de janeiro de 2026?".

O resultado? Um lucro estimado em mais de US$ 400 mil.

O furo no sigilo

O governo americano alega que Van Dyke violou acordos de confidencialidade que havia assinado. Esses documentos o proibiam de divulgar, publicar ou revelar "qualquer informação classificada ou sensível" relacionada às operações militares das quais participou.

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E não parou por aí. Após coletar os ganhos, o soldado ainda teria tomado medidas para ocultar sua ligação com a conta que fez as apostas.

O procurador-geral interino Todd Blanche foi duro: "Nossos homens e mulheres uniformizados recebem informações classificadas para cumprir suas missões com segurança e eficácia. E são proibidos de usar essas informações para ganho financeiro pessoal."

O que está em jogo

Van Dyke enfrenta acusações de violação da Lei de Bolsa de Mercadorias, fraude eletrônica e transação monetária ilegal. O caso reacende o debate sobre os mercados de previsão, que cresceram em influência e assinaram acordos com grandes veículos de mídia e organizações esportivas.

No Congresso, já tramita uma legislação para proibir autoridades públicas de usar informações não públicas para apostar nesses sites. O caso Van Dyke pode ser o empurrão que faltava para a lei sair do papel.

O que esperar

Este episódio expõe uma fragilidade grave: o uso de informações ultrassecretas para lucro pessoal em plataformas que, até pouco tempo, eram vistas como meras curiosidades da internet. Agora, elas se tornaram um campo minado para a segurança nacional.

A pergunta que fica é: quantos outros casos como este ainda estão por vir?