Entrar
STF derruba por unanimidade lei de SC que proibia cotas raciais em universidades
Política

STF derruba por unanimidade lei de SC que proibia cotas raciais em universidades

Decisão histórica mantém políticas de ações afirmativas em instituições de ensino superior que recebem verbas estaduais.

Redação
Redação

18 de abril de 2026 ·

O Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou, por unanimidade, a lei de Santa Catarina que proibia a adoção de cotas raciais em universidades que recebem verbas públicas do estado. O julgamento, concluído em plenário virtual nesta sexta-feira (17), considerou inconstitucional a Lei nº 19.722/2026, sancionada pelo governador Jorginho Mello (PL).

Com 10 votos a 0, a norma, que afetava instituições públicas, privadas e comunitárias, perdeu validade imediatamente. A decisão garante a continuidade das políticas de ações afirmativas com base étnico-racial no acesso ao ensino superior catarinense.

Votação unânime e fundamentação dos ministros

O relator do caso, ministro Gilmar Mendes, formou maioria na quinta-feira (16) e teve seu voto acompanhado por todos os demais. Ele rebateu o argumento de que as cotas violariam o princípio de isonomia, afirmando que o tratamento desigual visa "remediar desigualdades históricas entre grupos étnicos e sociais e promover a justiça social".

Mendes destacou que a lei catarinense apresentava um "déficit na apreciação de fatos", pois a Assembleia Legislativa não avaliou os efeitos da descontinuidade das cotas para a sociedade. O ministro também apontou que a norma feriu convenções internacionais contra o racismo das quais o Brasil é signatário.

Lei proibia apenas cotas raciais

A Lei nº 19.722/2026 vedava especificamente a reserva de vagas com base em critério étnico-racial para estudantes, professores e servidores. No entanto, abria exceção para cotas socioeconômicas, para pessoas com deficiência (PCD) e para egressos da rede pública estadual.

Os ministros Edson Fachin e Flávio Dino redigiram votos próprios, concordando com o relator. Fachin criticou a visão "reducionista" de que cotas por renda seriam suficientes, enquanto Dino apontou a falta de audiências públicas e a não oitiva das universidades afetadas, como a UDESC.

Processo foi ajuizado por entidades

A ação que questionou a lei foi movida pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) em conjunto com a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro). A norma estava suspensa desde que Gilmar Mendes pediu explicações ao governo estadual.

Em nota publicada nas redes sociais após a decisão, o governador Jorginho Mello defendeu a lei, afirmando que ela "não extinguia cotas, melhorava: focava nos mais pobres".

Deixe seu Comentário
0 Comentários
🍪

Cookies

Nosso site usa cookies para melhorar a experiência do usuário. Ao usar nossos serviços, vocês concorda com a nossa Política de Cookies.