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O festival South by Southwest (SXSW) completou 40 anos em 2025 com sua "reinvenção mais ambiciosa", segundo Greg Rosenbaum, vice-presidente sênior de programação. O evento, que reúne tecnologia, cinema e música em Austin, Texas, atraiu cerca de 300 mil pessoas este ano, recuperando o movimento das ruas do centro da cidade comparável ao período pré-pandemia.

A edição deste ano foi dois dias mais curta e "descentralizada" devido à demolição do Centro de Convenções de Austin, que espalhou painéis e eventos por diversos locais. A organização, que passou por mudanças de gestão e demissões durante a crise da Covid-19, implementou um novo sistema de credenciamento e um modelo de reservas para atividades.

Novo modelo de acesso e críticas

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A principal mudança foi o fim do acesso secundário, que permitia que portadores de credenciais de uma área (como música) participassem de eventos de outra (como cinema). Agora, para acesso irrestrito, é necessário adquirir o crachá "Platinum", com preço reduzido para cerca de US$ 2 mil. Um sistema de reservas para ingressar em eventos também foi instituído, causando lotação rápida em algumas atividades.

Jonathan Sperber, fundador que participou da competição de pitches do SXSW, afirmou que o festival não parece mais um lugar onde qualquer um pode simplesmente aparecer. "O valor tende a depender de quão bem você se prepara para ele", disse, destacando a necessidade de agendar reuniões e ter uma estratégia clara.

Valor para fundadores e investidores

Para fundadores e investidores de tecnologia, o evento mantém seu valor como ponto de conexão. Ashley Tryner-Dolce, investidora e fundadora, descreveu o festival como uma "incrível reunião de ideias", mas ressaltou que os momentos mais significativos ocorreram em eventos paralelos. "É menos sobre o palco principal e mais sobre com quem você está sentado à frente", avaliou.

James Norman, sócio-gerente da Black Ops VC, que organizou um evento paralelo sem um crachá oficial, descreveu o SXSW atual como uma "não-conferência". "Se você está apenas aparecendo sem as conexões certas ou proximidade com as salas e conversas que importam, você vai lutar para desbloquear o valor real do evento", afirmou.

Mudança de perfil e custos elevados

Rodney Williams, cofundador da fintech SoLo Funds e frequentador do SXSW há mais de uma década, observou uma mudança no perfil do evento. Ele afirmou que o festival passou de uma "zona de descoberta íntima e improvisada para um espaço de alto custo e alta competição", focado em "interação com investidores e marketing experiencial".

"Empresas com orçamentos massivos de marketing são geralmente as únicas participando, lançando produtos ou realizando eventos caros", explicou Williams. "Isso tirou oportunidades das empresas de tecnologia emergentes que costumavam participar."

Impressionante para estreantes e futuro do evento

Para Simon Davis, que participou do SXSW pela primeira vez, a impressão foi de um "evento de mídia com um ângulo tecnológico, não o contrário". Ele elogiou a diversidade de pessoas, origens e níveis de experiência em comparação com outros eventos setoriais.

Greg Rosenbaum, da organização, confirmou que o sistema de reservas retornará no próximo ano, com ajustes para corrigir erros técnicos e confusões de capacidade. A expectativa é que o festival continue sua trajetória de reinvenção, mantendo-se como um polo importante para networking e troca de ideias, apesar das críticas sobre acessibilidade e custos.