Teoria da pizza do Pentágono: como pedidos noturnos alimentam folclore sobre crises internacionais
Observação informal liga picos de entregas em Washington a decisões militares e políticas de alto impacto desde os anos 1990.
A movimentação noturna em pizzarias próximas a prédios estratégicos do governo dos Estados Unidos, como o Pentágono e a CIA, alimenta há décadas uma curiosa teoria informal. Conhecida como "teoria da pizza do Pentágono" ou "Pizza Meter", ela relaciona aumentos repentinos em pedidos de comida rápida a iminentes crises ou operações militares internacionais.
A observação ganhou notoriedade nos anos 1990, mas casos relatados remontam aos anos 1980. Especialistas ressaltam a falta de comprovação científica, mas o fenômeno segue despertando curiosidade e rendendo debates, especialmente com a revitalização do tema nas redes sociais.
Origens e casos emblemáticos
Em 1990, Frank Meeks, franqueado da rede Domino's em Washington, contou ao Los Angeles Times ter percebido um padrão. Em 1º de agosto daquele ano, a CIA teria feito um pedido recorde de 21 pizzas em uma única noite. No dia seguinte, o Iraque invadiu o Kuwait, dando início à Guerra do Golfo.
Meeks passou a notar situações semelhantes. Em dezembro de 1998, houve novo aumento de pedidos durante o processo de impeachment do presidente Bill Clinton. O jornalista Wolf Blitzer, da CNN, brincou na época: “A lição para jornalistas é simples: sempre monitorem as pizzas”.
Revitalização nas redes sociais e casos recentes
Em agosto de 2024, surgiu no X (antigo Twitter) a conta “Pentagon Pizza Report”, que monitora dados públicos de movimento em estabelecimentos próximos a prédios do governo. Na segunda-feira, 5 de agosto de 2024, o perfil alertou para movimento acima da média em pizzarias e no Freddies Beach Bar, próximo ao Pentágono.
Episódios mais recentes são citados como exemplos. Em abril de 2024, um aumento incomum coincidiu com o lançamento de drones iranianos contra Israel. Em junho de 2025, forte atividade foi registrada antes de bombardeios israelenses no Irã e do anúncio de ataques americanos a instalações nucleares iranianas.
O caso da Venezuela em 2026
Entre a noite de 2 e a madrugada de 3 de janeiro de 2026, uma pizzaria nas proximidades do Pentágono registrou movimentação atípica. Horas depois, os Estados Unidos realizaram uma operação militar na Venezuela. A ação foi confirmada posteriormente pelo então presidente Donald Trump, que anunciou a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Embora nunca comprovada oficialmente, a teoria persiste como um folclore político peculiar. Ela sugere que, em momentos de tensão máxima, funcionários de alto escalão permanecem trabalhando até tarde, resultando em um aumento da demanda por delivery de comida – um sinal informal que, para alguns, antecede decisões que mudam o rumo da política internacional.
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