A missão Artemis II da NASA concluiu com sucesso às 21h07 (horário de Brasília) desta sexta-feira (10), com a amerissagem da cápsula Orion no Oceano Pacífico. A tripulação, composta pelos astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, retornou em segurança após uma viagem de aproximadamente 10 dias ao redor da Lua, sem pousar em sua superfície.
O feito é considerado histórico por marcar o primeiro voo tripulado além da órbita terrestre baixa em mais de 50 anos, desde a missão Apollo 13, na década de 1970. O lançamento havia ocorrido no dia 1º de abril, a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, Estados Unidos.
Objetivos cumpridos e recorde quebrado
A missão cumpriu todos os objetivos planejados pela agência espacial norte-americana. A bordo da Orion, os astronautas quebraram o recorde de distância da Terra estabelecido pela Apollo 13, atingindo o ponto mais distante de sua trajetória de retorno livre, a milhares de quilômetros além do lado oculto da Lua.
Durante os 10 dias no espaço, a tripulação validou sistemas de suporte à vida para missões de longa duração, testou a estabilidade da comunicação no espaço profundo e coletou dados críticos para a próxima etapa do programa: a Artemis III, que planeja levar humanos de volta à superfície lunar.
Próximos passos: o caminho para a Lua
Com o sucesso da Artemis II, a NASA agora foca na Artemis III. O objetivo será lançar uma tripulação na espaçonave Orion, a bordo do foguete SLS (Space Launch System), para testar as capacidades de encontro e acoplamento com uma espaçonave comercial que fará o pouso na Lua.
O lançamento está previsto para 2027, mas especialistas questionam o cumprimento desse prazo, considerando o ritmo atual do programa espacial. "Esse prazo não poderia ser cumprido", alegam analistas.
Diferenças técnicas em relação às missões Apollo
A comparação com as missões Apollo ajuda a entender a evolução tecnológica. Enquanto as naves Apollo orbitavam a Lua a apenas 110 km de altitude, a Artemis II seguiu uma trajetória de retorno livre propositalmente mais distante. A manobra permitiu que a nave fizesse um arco ao redor do satélite e retornasse à Terra sem necessidade de propulsão adicional para sair da órbita lunar.
A missão também capturou registros visuais inéditos, incluindo fotos da superfície lunar e do fenômeno "Earthrise" (o nascer da Terra no horizonte da Lua). As imagens, que detalham crateras no lado oculto, têm valor científico para a geologia lunar e reforçam os planos para uma base permanente no satélite.
Resgate e exames médicos
A cápsula pousou no Oceano Pacífico com um minuto de atraso em relação ao planejado, às 21h08. Equipes da NASA e do Departamento de Defesa dos EUA auxiliaram os astronautas na saída da nave, concluída pouco depois das 22h30, e os transportaram para o navio de resgate USS John P. Murtha. A tripulação passará por exames médicos imediatos como parte do protocolo pós-missão.
Para a NASA, os dados coletados são fundamentais não apenas para o retorno à Lua, mas também para futuras missões tripuladas rumo a Marte.