Turistas americanos estão cancelando viagens e reconsiderando estadias no México após uma onda de violência em Jalisco, desencadeada por uma operação militar que resultou na morte do líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), Nemesio "El Mencho" Oseguera Cervantes, no domingo (data da referência). A violência retaliatória, que incluiu bloqueios de estradas e veículos incendiados em cidades como Puerto Vallarta, levou governos a emitirem alertas de segurança.
O incidente ocorre após o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, designar o CJNG como uma organização terrorista estrangeira. A Casa Branca confirmou que os Estados Unidos forneceram apoio de inteligência para a operação, que deixou quatro mortos no local, três feridos que morreram depois e dois presos. Três membros das forças armadas mexicanas também ficaram feridos.
Turistas em alerta e viagens canceladas
Hannah Donovan, de 28 anos, cancelou sua "babymoon" em Puerto Vallarta com menos de 24 horas de antecedência após ver imagens de carros em chamas nas redes sociais. "Estamos definitivamente um pouco traumatizados com a situação", disse ela ao Business Insider. A família, que tem parentes na região, agora avalia se tentará a viagem mais tarde.
A violência causou cancelamentos em massa de voos domésticos e internacionais nos aeroportos de Guadalajara e Puerto Vallarta, com muitas companhias aéreas ainda operando em escala reduzida na segunda-feira. Tanto os governos dos EUA quanto do Canadá emitiram alertas para que cidadãos em algumas áreas permaneçam abrigados.
Experiência de residentes e visitantes de longa data
Doug Howell, 63, um americano aposentado que passa seis meses por ano em Puerto Vallarta há duas décadas, relatou ouvir explosões e ver colunas de fumaça subirem perto de seu apartamento no domingo. "Eles bombardearam uma loja numa esquina e um carro na ponte que não está nem a 400 metros de distância", contou. Howell, que é membro de um serviço de evacuação médica, optou por ficar em casa, mas planeja retornar aos EUA se a situação piorar.
Linda Armijo, que visita a cidade há 25 anos e está em uma estadia de três meses, viu de sua varanda "cinco ou seis" focos de fumaça, algo acima do normal. Ela descreveu uma série de interrupções, incluindo falhas no abastecimento de água e estradas bloqueadas. Apesar da situação, ela se sente segura em seu condomínio e expressou maior preocupação com o futuro da cidade do que com sua segurança pessoal.
Impacto no turismo e perspectivas futuras
Robin Ingle, especialista em segurança em viagens, prevê um impacto imediato no fluxo turístico. "Haverá repercussão no próximo mês, com pessoas decidindo não ir, porque há uma porcentagem da população que não quer correr riscos", afirmou. Alertas governamentais podem afetar a cobertura de seguros de viagem.
No entanto, Ingle acredita que, se a violência for contida rapidamente, o dano à reputação de destinos como Puerto Vallarta não será duradouro. "Normalmente, isso leva alguns dias, e então se resolve", avaliou, ressaltando que o risco, contudo, permanece.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, fez um apelo pela calma no país. O México se tornou um destino turístico cada vez mais popular para americanos, atraídos pela vida noturna, cena gastronômica e custo acessível em comparação com outros destinos internacionais.