Waymo cria modelo computacional para comparar direção autônoma com humana
Empresa desenvolve em parceria com TU Delft sistema que simula comportamento humano antes de colisões.
A Waymo, empresa de carros autônomos do grupo Alphabet, desenvolveu um novo modelo computacional para responder a uma pergunta fundamental: como seu sistema de direção autônoma se compara à direção humana?
O modelo, criado em parceria com a universidade TU Delft, foi detalhado em um artigo científico publicado na revista Nature Communications nesta quarta-feira (26).
Modelo mais preciso que versão anterior
A empresa espera que o novo modelo seja mais preciso do que a versão usada nos últimos anos. O sistema foi construído com base no conceito de "inferência ativa", a teoria de que um motorista está constantemente imaginando futuros possíveis e tomando ações para alcançar o resultado mais seguro e previsível.
Segundo a Waymo, o modelo ajudará a entender melhor como os humanos se comportam em cenários de acidentes que seus robotáxis enfrentam. "Por décadas, a indústria automotiva usou bonecos de teste físicos e virtuais para avaliar recursos de segurança", escreveu a empresa em um blog post. O novo modelo "evolui esse conceito, servindo como um parâmetro comportamental para sistemas de direção autônoma".
Referência Driver: comportamento pré-colisão
A principal diferença entre o novo modelo, chamado de Reference Driver (Motorista de Referência), e seu antecessor é a capacidade de reproduzir o comportamento de um motorista humano antes de uma colisão. Modelos anteriores focavam em replicar manobras humanas "reativas de último segundo".
O Reference Driver pode "simular a 'surpresa' interna que um motorista sente durante um conflito, fornecendo um parâmetro mais humano para sistemas autônomos que antes era impossível automatizar em escala", disse Arkady Zgonnikov, professor assistente da TU Delft, em comunicado.
Contexto de escrutínio regulatório
O modelo chega em um momento crítico para a Waymo, que está expandindo para mais cidades e enfrentando maior escrutínio de reguladores e do público. Em janeiro, quando um robotáxi da empresa atropelou uma criança perto de uma escola em Santa Monica, na Califórnia, a Waymo usou seu modelo anterior para afirmar que um motorista humano atento teria feito o impacto a cerca de 22 km/h. O robotáxi atingiu a criança a apenas 9,6 km/h, após desacelerar de 27 km/h, e a empresa disse que ela sofreu ferimentos leves. O acidente ainda está sob investigação.
Potencial para outros cenários
A Waymo afirma que o novo modelo pode ser adaptado para modelar uma "ampla gama de comportamentos de usuários das vias além da prevenção de colisões" e que é mais adequado para ser aplicado a "grandes conjuntos de teste com milhares de cenários".
Código aberto para pesquisa
A empresa também está disponibilizando o código de pesquisa do modelo sob uma licença acadêmica não comercial, permitindo seu uso para pesquisa, ensino, experimentação pessoal e publicação científica.
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