A fintech indiana Xflow anunciou nesta terça-feira (25) uma rodada de financiamento de US$ 16,6 milhões (cerca de R$ 83 milhões) liderada pela General Catalyst, com participação de gigantes do setor como Stripe e PayPal Ventures. A captação, totalmente em capital próprio, eleva a avaliação da startup, sediada em Bengaluru, para US$ 85 milhões pós-investimento e seu financiamento total para mais de US$ 32 milhões.
Fundada em 2021 por ex-executivos da Stripe, a Xflow desenvolve infraestrutura para pagamentos internacionais entre empresas (B2B), um mercado ainda dominado por bancos e processos manuais na Índia. A empresa permite que exportadores, empresas de SaaS e freelancers recebam pagamentos do exterior, gerenciem câmbio e liquidem fundos em rúpias indianas.
Mercado carente de transparência e agilidade
Segundo Anand Balaji, cofundador e CEO da Xflow, os pagamentos B2B transfronteiriços para exportadores indianos estão "presos em uma era diferente" se comparados à instantaneidade do UPI (Unified Payments Interface), rede de pagamentos domésticos amplamente adotada no país. A fricção é especialmente crítica para grandes exportadores que movimentam milhões de dólares para custear salários e operações locais.
Em 2024, a Xflow processou cerca de US$ 1 bilhão em volume anualizado de pagamentos internacionais, um crescimento de aproximadamente dez vezes em relação ao mesmo período de 2023, conforme revelado por Balaji à TechCrunch. A startup já atende cerca de 15 mil empresas, incluindo centros de capacitação global de multinacionais, exportadores de serviços de TI e plataformas de fintech.
Modelo de infraestrutura e ferramenta de câmbio com IA
A Xflow se posiciona como um provedor de infraestrutura de pagamentos via API, e não como um aplicativo direto ao consumidor. "Não queríamos construir o próximo Wise — queremos alimentar os próximos mil Wises", afirmou Balaji, em referência à concorrente global.
A startup também introduziu uma ferramenta de câmbio estrangeiro baseada em inteligência artificial para ajudar equipes financeiras a otimizar o momento das conversões de moeda. O modelo oferece uma previsão de três dias com cerca de 92% de confiança, permitindo que empresas definam taxas de conversão-alvo, semelhante a ordens limitadas no mercado financeiro.
Expansão e concorrência no setor
A Xflow planeja usar o novo capital para desenvolver produtos adicionais sobre sua infraestrutura central e obter licenças regulatórias em novos mercados, como Singapura. A empresa já detém uma licença de pagamentos no Canadá e recebeu autorização final do Reserve Bank of India (RBI) para uma licença de Agregador de Pagamentos–Transfronteiriço (PA-CB), que cobre exportações e importações.
A startup enfrenta concorrência de bancos, que ainda dominam grandes transferências B2B, e de fintechs como Wise, Payoneer e Skydo no segmento de menor valor. No entanto, a Xflow aposta em seu foco em transações de alto valor e em seu modelo baseado em API como diferenciais.
Com aproximadamente 65 funcionários, a Xflow mantém a Índia como seu mercado principal, mas avança em parcerias com plataformas como Easebuzz e Drip Capital para incorporar suas capacidades transfronteiriças.