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Oito dos 20 maiores banqueiros de fusões e aquisições (M&A) do ano passado estão envolvidos em um único e ainda não resolvido negócio: a disputa pelo controle da Warner Bros. Discovery entre Netflix e Paramount. A concentração de poder em torno desta transação define o cenário do mercado, que registrou um volume global de US$ 4,6 trilhões em 2025, um aumento de 50% em relação ao ano anterior, segundo dados da LSEG.

O ranking anual, elaborado em parceria entre o Business Insider e a organização britânica de rastreamento de negócios MergerLinks, avalia os profissionais da América do Norte pelo valor total das transações em que atuaram como conselheiros principais. Nove nomes aparecem pela primeira vez na lista deste ano, que é marcada por movimentos estratégicos de grandes bancos e pela ascensão de boutiques de investimento.

Wells Fargo e RedBird em lados opostos da megadisputa

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A batalha pela Warner Bros. Discovery catapultou o Wells Fargo para o centro do mercado de M&A. O banco, que tradicionalmente tem foco no varejo, saltou do 17º para o 9º lugar no ranking global de consultoria da LSEG após ser escolhido como principal consultor da Netflix na proposta de aquisição. Do outro lado, a oferta da Paramount é representada por Gerry Cardinale, da RedBird Capital Partners, que também integra a lista dos 20 maiores.

“Desde sua chegada, ele tem sido um dos principais arquitetos da ascensão meteórica do banco nos rankings de consultoria”, descreve o perfil de Michael Hogan, do Wells Fargo, que aparece pela primeira vez como "rainmaker" (fazedor de chuva, em tradução livre). Hogan, que se juntou ao banco em maio de 2023 após 27 anos no Morgan Stanley, liderou transações que somaram US$ 153,4 bilhões.

Goldman Sachs e JPMorgan mantêm liderança com veteranos

Enquanto novos nomes surgem, instituições tradicionais mantêm sua força com executivos experientes. Sam Britton e Timothy Ingrassia, do Goldman Sachs, ajudaram o banco a manter a primeira posição na tabela de M&A do ano. Ingrassia, um veterano de 40 anos na empresa, assessorou a venda da Kenvue para a Kimberly-Clark por quase US$ 50 bilhões, totalizando US$ 87,5 bilhões em transações.

Do JPMorgan Chase, Anu Aiyengar, a principal rainmaker do ano anterior, retorna à lista após ajudar a empresa a superar US$ 1,2 trilhão em valor total de negócios. Aiyengar, considerada uma das líderes femininas mais influentes do setor de serviços financeiros, foi responsável por transações no valor de US$ 105,2 bilhões em 2025.

Boutiques de investimento ganham espaço entre os gigantes

O ranking de 2025 também reflete a crescente influência de firmas de consultoria independentes, as chamadas boutiques. Blair Effron, cofundador da Centerview Partners, aparece pela quarta vez na lista, com US$ 113,3 bilhões em transações, incluindo consolidações no setor de mídia. Navid Mahmoodzadegan, CEO da Moelis & Company, entra pela primeira vez, com US$ 94,7 bilhões, após uma transição de liderança planejada na empresa.

“Estabelecendo a empresa como uma proeminente consultoria independente para as corporações de elite do mundo, oferecendo poder de grande banco dentro do cenário de banco boutique”, descreve o texto sobre a trajetória de Effron.

Metodologia e impacto no mercado

Para compilar a lista, a MergerLinks rastreia negócios anunciados publicamente e calcula os valores das transações com base líquida, incluindo capital próprio e dívida. O banqueiro deve ter sido o consultor principal de uma das partes para entrar na tabela individual. Os valores são convertidos de libras esterlinas para dólares americanos à taxa média de câmbio de 2025.

O ressurgimento do mercado após um período lento foi impulsionado por grandes fusões estratégicas. Os 20 profissionais listados foram responsáveis por uma parcela significativa do volume total de US$ 4,6 trilhões, indicando uma recuperação concentrada nas mãos de um grupo seleto de conselheiros de alto nível.