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Agricultores europeus bloqueiam ruas em protesto contra acordo UE-Mercosul
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Agricultores europeus bloqueiam ruas em protesto contra acordo UE-Mercosul

Manifestantes usam tratores para interromper tráfego em Paris e na Grécia às vésperas de votação crucial.

Redação
Redação

8 de janeiro de 2026 ·
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Dezenas de agricultores saíram às ruas nesta quinta-feira (8) na França e na Grécia, interrompendo o tráfego e fechando rotas estratégicas com tratores, em protesto contra o possível avanço do acordo de livre comércio da União Europeia com o Mercosul. A votação do tema pelo bloco europeu está prevista para esta sexta-feira (9).

Os produtores europeus veem o tratado, negociado há quase três décadas, como uma ameaça por abrir o mercado do bloco para importações mais baratas originárias de Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai. A assinatura do acordo foi adiada em dezembro, quando os agricultores conseguiram novas salvaguardas, mas a pressão continua.

Protestos intensos na capital francesa

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Na França, cerca de 100 tratores chegaram a Paris e se concentraram diante da Assembleia Nacional, sob intensa vigilância policial. Bloqueios tomaram rodovias de acesso à capital, provocando congestionamentos que chegaram a 150 quilômetros. Parte dos manifestantes conseguiu ultrapassar barreiras policiais e acessar pontos centrais, como o Arco do Triunfo e a região da Torre Eiffel.

O protesto foi organizado pelo sindicato Coordination Rurale para pressionar o governo francês, acusado de não tomar o partido dos agricultores. No tumulto, a presidente da Assembleia Nacional, Yael Braun‑Pivet, foi vaiada e empurrada ao tentar dialogar com os manifestantes.

Oposição política e risco de desgaste

Arnaud Rousseau, presidente da Federação Nacional dos Sindicatos de Agricultores (FNSEA), afirmou que o acordo pode abrir as portas para produtos agrícolas que não seguem os padrões europeus. A ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, reafirmou posição contrária ao tratado, argumentando que ele representa uma ameaça direta para setores como carne bovina, frango, açúcar, etanol e mel.

O governo francês, que não possui maioria no Parlamento, enfrenta o risco de mais desgaste político. Setores da oposição citam a possibilidade de moverem um voto de desconfiança, mecanismo que pode, em última instância, derrubar o governo.

Bloqueios e crise na Grécia

Na Grécia, os protestos assumiram caráter ainda mais intenso. Agricultores iniciaram um bloqueio de 48 horas nas principais rodovias, entroncamentos e pedágios do país. A via que liga Atenas à cidade de Tessalônica foi fechada em vários trechos, permitindo a passagem apenas de veículos de emergência.

O governo conservador advertiu que bloqueios mais prolongados não serão tolerados. Muitos agricultores relatam ter chegado ao limite após meses de crise provocados por custos de produção em alta, escândalos que atrasaram subsídios e surtos de varíola ovina e caprina.

Panorama europeu e próximos passos

Apesar da oposição francesa, Alemanha, Espanha e, mais recentemente, Itália se posicionaram a favor do acordo. Segundo autoridades europeias, a soma desses apoios pode ser suficiente para aprovar o tratado mesmo sem o voto francês.

O governo francês afirma que, mesmo se o tratado for aprovado pelos demais membros da UE, continuará lutando contra sua implementação no Parlamento Europeu. Enquanto isso, buscando conter a tensão na Grécia, o governo local anunciou medidas de emergência, como redução nas tarifas de energia elétrica e reembolsos de imposto sobre combustíveis.

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