O investidor e bilionário Mark Cuban afirmou que existem dois tipos fundamentais de pessoas que utilizam modelos de linguagem de grande porte (LLMs, na sigla em inglês), como o ChatGPT. Em uma publicação na rede social X na terça-feira, o empresário disse que a divisão se dá entre "aqueles que a usam para aprender tudo e aqueles que a usam para não ter que aprender nada". A observação gerou ampla discussão sobre o impacto da IA no mercado de trabalho e no desenvolvimento profissional.
Cuban, conhecido por seu papel no programa de investimentos "Shark Tank", tem sido um entusiasta declarado da inteligência artificial, defendendo que as empresas precisam adotar a tecnologia para se manterem competitivas. Ele já havia declarado que no futuro haverá "dois tipos de empresas: aquelas que são excelentes em IA, e todas as outras".
IA como "combustível de foguete" ou risco de "desqualificação"
A visão de Cuban sobre os dois perfis de usuários encontrou eco em outros nomes influentes do Vale do Silício. Bill Gurley, sócio da firma de capital de risco Benchmark, concordou "100%" com a análise. Em resposta no X, Gurley elaborou: "Se você está em uma trajetória de carreira personalizada onde busca se diferenciar, a IA é 'combustível de foguete' - você pode aprender e decolar mais rápido do que nunca".
No entanto, o efeito pode ser exatamente o oposto. Até mesmo alguns dos maiores proponentes da IA alertaram que a tecnologia pode tornar as pessoas preguiçosas. Arthur Mensch, CEO da Mistral AI, disse no ano passado que o maior risco da IA para os humanos é a "desqualificação" (*deskilling*), com funcionários se tornando mais acomodados ao confiar excessivamente nas ferramentas.
"Você quer que as pessoas continuem aprendendo", afirmou Mensch em entrevista ao *The Times of London*. "Ser capaz de sintetizar informações e criticar informações é um componente central do aprendizado", completou o executivo, cuja empresa é uma das concorrentes da OpenAI.
Contexto e visão de Cuban sobre o potencial (e os limites) da IA
A declaração de Cuban se soma a uma série de posicionamentos públicos nos quais ele mescla otimismo com cautela sobre a tecnologia. Ele já descreveu os modelos de IA como incapazes de fornecer todas as respostas, chegando a classificá-los como "estúpidos", mas comparando-os a "um savant que lembra de tudo", em referência à capacidade de processar vastas quantidades de dados.
Para o bilionário, a adoção estratégica da IA não é uma opção, mas uma necessidade de sobrevivência empresarial. Sua tese é de que a tecnologia criará uma divisão profunda no mundo corporativo, premiando as organizações que a dominarem e marginalizando as que ficarem para trás.
A discussão levantada por Cuban e endossada por Gurley e Mensch aponta para um dilema central da era da IA: a tecnologia é uma ferramenta de empoderamento que pode amplificar habilidades e conhecimentos, mas seu uso passivo e não crítico corre o risco de atrofiar a capacidade de aprendizado e raciocínio independente dos profissionais.