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O presidente e cofundador do Alibaba, Joe Tsai, afirmou que dois valores são fundamentais para fomentar a inovação em grandes empresas: um forte senso de propriedade e a capacidade de ser ágil na tomada de decisões. As declarações foram feitas durante uma entrevista na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, divulgada na quarta-feira (15).

Tsai, que integra a gigante chinesa de comércio eletrônico desde sua fundação, em 1999, reconheceu que a companhia já passou por fases em que a inovação estagnou. "Todo mundo tem seu papel. É muito difícil fazer as pessoas pensarem sobre coisas novas, sobre o futuro, inovar", disse o executivo.

Inovação vem de uma cultura de propriedade, não de um departamento

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Para Tsai, a solução não está em criar uma divisão separada para inovação. "Acho que a única coisa que você precisa fazer é incutir nas pessoas algum senso de propriedade", afirmou. Ele reforçou um princípio defendido pelo ex-CEO Jack Ma: os funcionários devem trabalhar para os clientes, e não apenas para seus chefes.

"A ideia é se importar em deixar os clientes, e não os chefes, felizes e começar a pensar no que os clientes vão querer no futuro", explicou Tsai. Essa mentalidade, segundo ele, é um antídoto contra a burocracia e a complacência que podem surgir em corporações consolidadas.

Agilidade para decidir com informação incompleta e pivotar rápido

O segundo traço essencial apontado pelo presidente do Alibaba é a agilidade, característica crucial no setor de tecnologia, onde há sempre uma "deficiência de informação". "Você tem que ser capaz de tolerar não ter informações completas e então simplesmente tomar uma decisão e se comprometer com ela", disse.

Tsai destacou que, se a decisão se mostrar errada, é necessário "pivotar rapidamente em uma direção diferente". Essa capacidade de adaptação rápida é vista como vital para competir em um mercado dinâmico.

Retomada impulsionada por IA e reestruturação

O Alibaba tem passado por uma recuperação significativa nos últimos dois anos, impulsionada por inovações em inteligência artificial e uma ampla reestruturação de seu negócio principal de e-commerce. Em uma conferência de resultados no final do ano passado, o atual CEO, Eddie Wu, descartou falar sobre uma bolha de IA e afirmou que a empresa está investindo pesadamente na tecnologia.

"Nem sequer somos capazes de acompanhar o crescimento da demanda dos clientes", declarou Wu, acrescentando que, nos próximos três anos, os recursos de IA continuarão escassos. Ele atribuiu o aumento da demanda não a um hype passageiro, mas à adoção real da IA em toda a economia.

A empresa compete no cenário global com seus modelos de IA Qwen, que têm se saído bem em testes de benchmark contra concorrentes internacionais. A aposta contínua em inovação, seguindo os princípios destacados por Tsai, é parte central da estratégia da companhia para manter sua relevância no futuro.