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Uma nova análise de DNA do Sudário de Turim, relíquia guardada na Itália que muitos acreditam ter envolvido o corpo de Jesus Cristo, reforça a hipótese de que o tecido foi fabricado na Índia antes de passar pelo Oriente Médio. A pesquisa preliminar, publicada na revista BioRxiv, também identificou vestígios genéticos de plantas, animais e microrganismos que traçam uma "jornada histórica" do artefato.

O estudo, liderado por Gianni Barcaccia, foi divulgado a tempo da Páscoa e está em fase de revisão por pares. A relíquia, um pano de linho de 4,4m por 1,1m que mostra a imagem de um homem com marcas de crucificação, é datada por carbono-14 entre 1260 e 1390, período próximo de seu primeiro registro histórico na França, em 1354.

Rastros genéticos de uma longa viagem

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A análise genética do tecido detectou a presença do haplogrupo H33, comum no Oriente Médio e prevalente entre os drusos, povo que compartilha origem com judeus e cipriotas. "Os resultados parecem confirmar que o Sudário de Turim esteve no Oriente Médio e em um ambiente salino, como o encontrado perto do Mar Morto", afirmam os pesquisadores, referindo-se também à descoberta de arqueias halofílicas, microrganismos que prosperam em alta salinidade.

Entre os contaminantes identificados estão fungos, bolores, coral vermelho do Mediterrâneo, além de plantas como cenouras, trigo e milho, e animais como gado, porcos e cães. "A diversidade de espécies animais e vegetais identificadas destaca a significativa contaminação ambiental que o Sudário provavelmente sofreu nos últimos séculos", conclui o estudo.

Conexão histórica com a Índia

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A ligação com a Índia não é nova. Em 2015, Barcaccia já havia publicado na Scientific Reports uma análise que apontava que 38,7% do DNA humano no sudário tinha origem indiana, enquanto 55,6% vinha do Oriente Próximo. Europeus representavam menos de 5,6%.

Os autores do novo trabalho sugerem que a presença de linhagens indianas pode resultar da "importação de linho pelos romanos de regiões próximas ao Vale do Indo". A paleógrafa Ada Grossi, em declarações ao Vatican News, oferece outra explicação: tecidos de linho indianos de alto valor eram usados no Templo de Jerusalém nas vestes do sumo sacerdote durante o Yom Kippur.

Evidências além da genética

Um detalhe linguístico reforça a conexão. O termo "Sudário" deriva da palavra grega sindôn (linho fino), que pode estar relacionada a Sindh, região do atual Paquistão historicamente famosa por seus tecidos de alta qualidade.

"Em conjunto, nossos resultados, tanto passados quanto presentes, fornecem informações valiosas sobre as origens geográficas das pessoas que interagiram com o Sudário ao longo de sua jornada histórica por diferentes regiões, populações e épocas", finalizam os pesquisadores.