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A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deve analisar apenas no início de fevereiro de 2026 o processo que pode resultar na caducidade da concessão da Enel Distribuição São Paulo. A decisão foi adiada porque a área técnica da agência está refazendo seu parecer sobre a atuação da concessionária italiana, segundo informações do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.

A revisão foi solicitada pelo diretor da Aneel, Gentil Nogueira de Sá Junior, e deve incluir os eventos ocorridos em dezembro de 2025, quando novos apagões deixaram milhares de residências sem energia elétrica na capital e na região metropolitana. O novo relatório está previsto para ser entregue à diretoria da agência na última semana de janeiro.

Processo depende de avaliação técnica

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Segundo pessoas que acompanham o processo, se a avaliação técnica concluir que a Enel não apresentou melhora em relação ao desempenho registrado no ano passado, a diretoria poderá avançar com a decretação da caducidade da concessão. Caso contrário, o processo tende a ser arquivado.

O parecer anterior, antes da revisão, praticamente inviabilizava a perda do contrato, o que motivou o pedido de vista do diretor Gentil Nogueira de Sá Junior.

Contexto dos apagões e reações

A discussão ocorre após uma ventania considerada histórica atingir São Paulo em dezembro, com rajadas de até 98 km/h e duração aproximada de 12 horas. De acordo com balanço divulgado pela própria Enel, o evento climático deixou mais de 2,2 milhões de pessoas sem fornecimento de energia no estado.

Diante da crise, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciaram no dia 16 de dezembro que o governo federal daria início ao processo de caducidade do contrato da distribuidora.

O que é a caducidade e as penalidades

A caducidade é um instrumento previsto na Lei nº 8.987, de 1995, que regula o regime de concessões de serviços públicos. O procedimento permite ao poder concedente encerrar unilateralmente um contrato, desde que seja garantido o direito ao contraditório e à ampla defesa da concessionária.

Após os apagões, o Procon-SP aplicou uma multa de R$ 14,2 milhões à Enel por infrações às normas de defesa do consumidor. Somadas, as penalidades aplicadas pelo órgão ultrapassam R$ 77 milhões. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) estima que as perdas econômicas causadas pelo apagão chegaram a R$ 2,1 bilhões nos setores de comércio e serviços.

Próximos passos

As concessões de distribuição de energia elétrica são de responsabilidade do Poder Executivo federal, cabendo à Aneel a fiscalização das empresas. Até a conclusão do novo parecer técnico, a situação contratual da Enel permanece inalterada.