FAA obriga SpaceX a investigar falha inédita do booster do Starship e voos são suspensos imediatamente
Booster do foguete mais potente do mundo falhou segundos após se separar da nave. Entenda o que aconteceu.
Você acompanhou o último lançamento do Starship, o maior foguete já construído pela humanidade? Pois saiba que algo deu muito errado. E agora, a agência que regula o espaço nos EUA (FAA) colocou um freio de arrumação na SpaceX.
A FAA ordenou que a empresa de Elon Musk pare imediatamente com novos lançamentos do Starship até que uma investigação completa seja concluída. O motivo? Uma falha catastrófica e inédita no booster Super Heavy durante o voo de teste do último dia 22 de maio.
O que aconteceu exatamente? O booster, a parte inferior do foguete responsável por dar o empuxo inicial, conseguiu se separar da nave. Mas, em vez de manobrar suavemente de volta para a costa do Texas, ele simplesmente despencou desgovernado em direção ao Golfo do México.
O momento exato em que tudo deu errado
De acordo com o relatório da FAA divulgado nesta quarta-feira, o problema começou poucos minutos após a decolagem. Era o primeiro voo da versão “V3” do Starship, um modelo completamente reformulado e cheio de promessas.
O booster passou pelo ponto de máxima pressão dinâmica e chegou ao espaço. A separação ocorreu conforme o planejado. Mas, na hora de acionar os motores para a “queimada de retorno” — a manobra que o traria de volta —, um ou mais motores simplesmente falharam.
“O acidente envolveu o booster Super Heavy enquanto ele voava de volta para o Golfo da América após a separação dos estágios. Não há relatos de feridos ou danos à propriedade pública”, informou a FAA em comunicado oficial.
O drama dentro da nave Starship
E não foi só o booster que deu problema. A própria nave Starship, que seguiu viagem, também enfrentou dificuldades. Ela perdeu um de seus seis motores Raptor.
Com isso, a SpaceX teve que abandonar um dos objetivos mais importantes do teste: realizar uma segunda queimada em órbita para simular manobras reais de missão. A falha em série acendeu um alerta vermelho dentro da empresa.
Vale lembrar que esta versão V3 foi projetada justamente para ser mais confiável que as 11 anteriores. A SpaceX fez mudanças profundas no design do booster, nos motores e na própria nave. Mas, como o próprio Elon Musk costuma dizer, desenvolver foguetes é um jogo de tentativa e erro.
Por que isso é tão crucial para o futuro da SpaceX?
A resposta está no dinheiro. A SpaceX depende totalmente do Starship para continuar crescendo. O documento de IPO da empresa deixou claro: o serviço Starlink, que hoje é a maior fonte de receita e o único negócio lucrativo da companhia, precisa de um Starship confiável e reutilizável para se expandir.
Foguetes reutilizáveis são a chave para baratear o custo de enviar cargas pesadas ao espaço. Sem o Starship funcionando perfeitamente, o plano de negócios da SpaceX fica seriamente comprometido.
A FAA já ordenou investigações semelhantes para a SpaceX em outras ocasiões. A agência também fez o mesmo com a Blue Origin, rival de Jeff Bezos, durante o desenvolvimento do foguete New Glenn.
Curiosamente, o New Glenn foi liberado para voar novamente na semana passada. A Blue Origin deve tentar o quarto lançamento do seu foguete pesado nos próximos meses. Enquanto isso, a SpaceX terá que esperar.
Agora, a FAA vai supervisionar cada passo da investigação da SpaceX. A empresa terá que apresentar um relatório final com todas as causas e as correções necessárias. Até lá, o maior foguete do mundo vai continuar no chão. E o cronograma para o IPO de meio de junho? Bem, isso pode ter que esperar também.
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