Airbnb investe US$ 58 milhões em startup de viagens em grupo que promete acabar com a solidão; saiba como

Airbnb investe US$ 58 milhões em startup de viagens em grupo que promete acabar com a solidão; saiba como

WeRoad aposta em conexões reais e expande para os EUA em meio à crise de isolamento entre jovens.

Redação
Redação

27 de maio de 2026

Você já sentiu aquela vontade de viajar, mas bateu o desânimo por não ter companhia? Se a resposta for sim, saiba que uma startup italiana acaba de receber um investimento milionário para resolver exatamente esse problema.

O dinheiro que aposta na sua solidão

A WeRoad, plataforma de viagens em grupo, levantou US$ 58 milhões em uma rodada Série C liderada pelo Airbnb. O total captado pela empresa já chega a impressionantes US$ 100 milhões. E o plano é ambicioso: levar o modelo para os Estados Unidos, começando por Austin, no Texas.

Mas por que o Airbnb, um gigante do aluguel de temporada, está investindo pesado nisso? A resposta revela uma mudança de paradigma no turismo: a próxima geração de empresas de viagem pode se parecer menos com plataformas de reserva e mais com redes sociais do mundo real.

A crise que virou oportunidade de negócio

Enquanto o Vale do Silício está obcecado com inteligência artificial, a WeRoad está surfando uma onda oposta e igualmente poderosa: a “Economia IRL” (In Real Life, ou Na Vida Real). O alvo? A solidão, que se tornou um problema de saúde pública, especialmente entre os jovens.

A ideia nasceu de uma dor pessoal dos fundadores. “Quando você termina a faculdade e começa a trabalhar, fica mais difícil encontrar pessoas para viajar. Os amigos estão se estabelecendo, tendo filhos, se mudando ou simplesmente não conseguem alinhar as agendas”, contou Paolo De Nadai, cofundador, ao TechCrunch.

Ele e o sócio Fabio Bin tentaram serviços similares, mas algo estava errado. “Os guias eram especialistas locais profissionais, e os grupos eram misturados em idade. As pessoas viajavam juntas, mas não se conectavam de verdade”, revelou.

Como funciona a “fórmula mágica” da conexão

A solução foi radical: redesenhar as viagens em grupo em torno de interesses compartilhados. As experiências são focadas em millennials e Gen Z, agrupando pessoas da mesma faixa etária com referências culturais comuns, mas origens completamente diferentes.

Antes mesmo do embarque, os viajantes são adicionados a um grupo de WhatsApp gerenciado pelo líder da viagem. O objetivo? Começar a se conhecer antes do primeiro aperto de mão. Os grupos têm entre 8 e 15 pessoas.

“A maior preocupação das pessoas raramente é o destino”, disse De Nadai. A preocupação real é não se conectar com o grupo. Para resolver isso, a WeRoad estrutura os roteiros com atividades mais aventureiras e colaborativas logo no início, funcionando como um verdadeiro quebra-gelo.

Não são guias, são companheiros de viagem

Outra diferença crucial: a WeRoad não usa guias turísticos tradicionais. Em vez disso, conta com “líderes de grupo”, coordenadores com idade próxima aos viajantes que atuam mais como companheiros de viagem. A empresa já trabalha com mais de 4 mil líderes globalmente.

“Não procuramos especialistas em destinos, mas pessoas com experiência em viagens e fortes habilidades interpessoais. Elas precisam liderar um grupo, lidar com tensões, adaptar planos e ajudar estranhos a se conectarem”, explicou o fundador.

O próximo passo: encontros locais

A estratégia vai além das viagens. Em 2025, a WeRoad lançou o WeMeet, um aplicativo focado em encontros presenciais locais: jantares, trilhas, yoga, corridas, happy hours e noites de jogos de tabuleiro. Mais de 50 mil pessoas participaram de eventos em 35 cidades no ano passado.

E essa será a porta de entrada para os EUA. Em vez de escalar nacionalmente de uma vez, a empresa vai focar em cidades específicas, começando por Austin. “Vamos lançar eventos WeMeet em várias cidades americanas ao longo de 2026, começando por Austin por sua energia incrível”, afirmou De Nadai.

O resultado que convence os investidores

Os números falam por si. Em 2025, a WeRoad gerou €130 milhões em receita, um crescimento de 30% em relação ao ano anterior. Mais de 100 mil viajantes embarcaram em suas experiências no último ano. Desde 2017, já são mais de 300 mil clientes em mais de mil roteiros.

Cerca de 60% dos viajantes acabam comprando outra viagem. A pergunta que fica é: será que as empresas conseguem construir negócios duradouros em cima da solidão e da conexão humana? Os investidores estão apostando que sim.

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