Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã provocaram um caos no tráfego aéreo global, forçando o desvio de pelo menos 145 voos na região do Oriente Médio. As aeronaves foram redirecionadas para 73 destinos diferentes após o fechamento do espaço aéreo, segundo compilação de dados do Business Insider com base em informações do serviço de rastreamento Flightradar24.
A análise, feita às 9h30 (horário do Leste dos EUA) desta sexta-feira, considerou as listas de chegadas de cinco dos principais aeroportos da região: Dubai Internacional, Aeroporto Internacional de Doha, Aeroporto Internacional de Abu Dhabi, Aeroporto Internacional de Sharjah (EAU) e Aeroporto Internacional do Bahrein. O número real de voos afetados pode ser maior, incluindo aqueles ainda não registrados como desviados ou com destino a outros aeroportos da região.
Principais destinos dos desvios
Dos 145 desvios confirmados, 63 voos eram originários de Doha, 47 do Dubai Internacional, 16 de Abu Dhabi, 16 de Sharjah e três do Bahrein. O destino mais comum foi Mascate, em Omã, que recebeu 17 aeronaves. Outros 11 voos pousaram em Istambul (Turquia) e em Karachi (Paquistão).
“Juntos, esses transportadores desviaram dezenas de aviões”, destaca a reportagem, referindo-se às grandes companhias aéreas globais com base na região, como Qatar Airways, Emirates, Etihad Airways e Saudia. Dados da firma de análise de aviação Cirium mostram que cerca de 3.400 voos programados tinham a região como destino hoje.
Impacto operacional e financeiro
Os desvios representam um custo significativo para as companhias aéreas, que precisam arcar com combustível extra, mão de obra adicional e possíveis compensações a passageiros. Os centros de operações das empresas, responsáveis por gerenciar cancelamentos, atrasos e realocar tripulações, enfrentam um cenário de sobrecarga.
O efeito cascata nos cronogramas de voos é inevitável quando aeronaves pousam em destinos não planejados. A aviação comercial na região utiliza alguns dos espaços aéreos mais congestionados do mundo, o que amplifica os transtornos de qualquer interrupção.
Casos emblemáticos de voos de longa distância
Dezenas de voos tiveram que retornar aos seus pontos de origem ou terminar em cidades inesperadas. Um voo da American Airlines com destino a Doha fez uma curva em “U” sobre a Irlanda e estava programado para pousar de volta na Filadélfia após 13 horas de voo.
Muitos outros voos dos EUA pousaram em vários pontos da Europa. Um voo da Emirates, partindo de Seattle, desviou para Varsóvia, na Polônia. Outro, vindo de Nova York, foi para Viena, na Áustria. Roma e Madrid também foram destinos de aeronaves desviadas. Até um jato particular, um Bombardier Global 7500 que ia de Genebra para Sharjah, teve que pousar no Cairo, segundo o Flightradar24.
Enquanto o espaço aéreo permanecer fechado, é provável que muitos dos voos programados que ainda não decolaram sejam cancelados. A situação evidencia a fragilidade das rotas aéreas globais diante de tensões geopolíticas agudas, com impactos imediatos para milhares de passageiros e para a complexa logística da aviação internacional.