Bairros populares da Suíça com aparência de favela têm IDH altíssimo, aponta ONU
Dados do PNUD revelam que áreas com prédios simples e grafites oferecem aluguel subsidiado e segurança exemplar.
Bairros populares da cidade de Basileia, na Suíça, que viralizaram em vídeos em 2025 por sua aparência comparada a favelas, na verdade possuem um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) altíssimo. A confirmação foi divulgada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no dia 30 de dezembro de 2025.
Os vídeos que circularam nas redes sociais mostravam edifícios de linhas retas, fachadas com grafites, ruas movimentadas e alta concentração de pessoas, desviando da estética alpina tradicional do país. Apesar da estética urbana considerada simples, os dados oficiais apontam uma realidade socioeconômica distinta.
Serviços que superam classe média brasileira
De acordo com o relatório do PNUD, esses bairros operam com um padrão de vida elevado, garantido por políticas públicas robustas. O acesso a aluguéis subsidiados, segurança pública exemplar e uma rede completa de serviços básicos são alguns dos fatores que, segundo a análise, superam a qualidade de vida disponível para parte da classe média em capitais brasileiras.
O contexto histórico da Suíça, com uma tradição de forte estado de bem-estar social e investimento em infraestrutura pública, é fundamental para entender a disparidade entre a aparência e a realidade dessas localidades. A presença de imigrantes e um comércio de bairro vibrante, comuns nas imagens, não se traduzem em indicadores de pobreza ou vulnerabilidade social no modelo suíço.
Desafio de percepção versus dados concretos
A viralização dos vídeos ilustra um choque de percepção, onde a estética visual de concentração urbana e arquitetura menos ornamentada foi imediatamente associada ao conceito de favela, comum em realidades como a brasileira. No entanto, os dados concretos do IDH, que mede saúde, educação e renda, desmontam essa comparação superficial.
Especialistas em desenvolvimento urbano consultados pela reportagem destacam que o caso suíço evidencia como indicadores socioeconômicos sólidos e políticas de redistribuição de renda podem coexistir com paisagens urbanas densas e de aparência modesta, desvinculando a ideia de que pobreza visual equivale a pobreza material ou falta de acesso a direitos.
O relatório do PNUD serve como um marco para discussões sobre padrões de desenvolvimento e equidade urbana em escala global, mostrando que a qualidade de vida em uma comunidade não pode ser julgada apenas por sua fachada.
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