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Benedito Gonçalves assume Corregedoria do CNJ com desafio de conter 'farra dos penduricalhos' na magistratura

Benedito Gonçalves assume Corregedoria do CNJ com desafio de conter 'farra dos penduricalhos' na magistratura

Ministro do STJ terá a árdua missão de regular os extras salariais que elevam rendimentos de juízes muito além do teto constitucional.

Redação
Redação
12 de junho de 2026

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Benedito Gonçalves, assumirá em agosto o comando da Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com uma das tarefas mais espinhosas do Judiciário brasileiro: enfrentar a chamada "farra dos penduricalhos". O termo se refere aos pagamentos extras nos contracheques dos magistrados, como verbas indenizatórias e auxílios (para moradia, saúde e educação), que, somados aos salários, elevam os rendimentos para valores muito acima do teto constitucional, fixado em R$ 46.366,19.

A nomeação de Gonçalves para o cargo de corregedor nacional de Justiça foi aprovada pelo Senado na quarta-feira (10) para um mandato que se estenderá até 2028. A cerimônia de posse, no entanto, só deverá ocorrer em agosto, após a nomeação oficial do magistrado pela Presidência da República.

Pressão interna e apoio da sociedade

O tema divide a magistratura e a sociedade brasileira. Se por um lado a regulamentação dos penduricalhos contraria interesses de muitos juízes e desembargadores, por outro, encontra forte apoio na opinião pública, que vê com maus olhos as regalias concedidas a uma única categoria. O ministro sabe que enfrentará enorme pressão dos colegas, mas conta com o respaldo do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, e de parte da própria magistratura.

Carreira e notoriedade nacional e internacional

Benedito Gonçalves tem mais de 50 anos de serviço público, dos quais 38 dedicados à magistratura. Apesar da longa carreira, tornou-se mais conhecido a partir de 2020, quando, como ministro do STJ, afastou do cargo o então governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (à época no PSC), por suspeita de corrupção. A visibilidade cresceu ainda mais em sua passagem como ministro efetivo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entre 2022 e 2023, onde atuou como relator da ação que tornou Jair Bolsonaro (PL) inelegível por oito anos.

A notoriedade ultrapassou as fronteiras. No ano passado, o governo de Donald Trump revogou o visto de entrada de Gonçalves nos Estados Unidos, uma "punição" pela sua atuação no TSE.

Trajetória de superação e a possibilidade no STF

De origem humilde, Gonçalves é filho de um pedreiro e de uma lavadeira, e foi criado na periferia do Rio de Janeiro. Formou-se em direito, com mestrado e especialização na área jurídica. Antes de ingressar na magistratura por concurso, foi papiloscopista da Polícia Federal e delegado de polícia no Distrito Federal. Em 1988, assumiu o cargo de juiz federal, atuando no Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul. Dez anos depois, foi promovido a desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região.

Em 2008, foi nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e se tornou o primeiro negro a ocupar o cargo de ministro do STJ, posição que ocupa atualmente. Lula tem enorme respeito pela história de Gonçalves e o considera uma de suas "cartas na manga" para uma eventual indicação ao STF. No entanto, a idade avançada do ministro, próxima do limite de 75 anos para o cargo no Supremo, e a preferência de Lula pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta pela saída de Luís Roberto Barroso, tornam essa possibilidade praticamente inviável. O próximo ministro a deixar o STF será Luiz Fux, em 2028, quando Gonçalves estará com 74 anos.

Com informações do CNJ e das agências Senado e Brasil.

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