O esquema secreto da Polymarket: como a empresa pagou influenciadores para bombar apostas sem revelar o patrocínio

O esquema secreto da Polymarket: como a empresa pagou influenciadores para bombar apostas sem revelar o patrocínio

Executivo da Polymarket enviou mais de R$ 2 milhões a criadores de conteúdo sem que eles dissessem que estavam sendo pagos.

Você já viu aqueles posts que parecem notícias de última hora, com gráficos de probabilidades e aquele ar de autoridade? Pois saiba que muitos deles podem ter sido comprados. Uma investigação da POLITICO revelou um esquema que coloca em xeque a credibilidade da Polymarket, a maior plataforma de apostas em eventos políticos do mundo.

O dinheiro que veio de uma conta pessoal

Entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026, o diretor de marketing da Polymarket, Matthew Modabber, usou sua conta pessoal do PayPal para enviar pelo menos US$ 350 mil (cerca de R$ 2 milhões) para influenciadores. O mais chocante? A maioria nunca revelou que estava recebendo dinheiro para postar sobre a empresa.

Um dos influenciadores pagos, que falou sob anonimato, contou à reportagem: "Eles nos diziam: 'Isso precisa sair agora, isso precisa sair agora', como se fôssemos gado." A frase revela um esquema coordenado para ditar o timing das postagens, como se a Polymarket estivesse no controle de um exército digital.

De influenciadores conservadores a progressistas: quem estava na folha de pagamento?

A lista de pagos é surpreendente e inclui nomes de todos os espectros políticos: o influenciador conservador Alex LoRusso, o comentarista progressista Brian Krassenstein, e até Riley Gaines, ex-nadadora universitária que virou comentarista da Fox News. Todos receberam milhares de dólares para promover a plataforma.

E não parou por aí. A investigação identificou que pelo menos 20 criadores de conteúdo postaram sobre a Polymarket mais de 490 vezes no X (antigo Twitter) sem mencionar que estavam sendo pagos. Em muitos casos, as postagens eram apresentadas como "manchetes de última hora" ou "notícias quentes", dando um falso ar de independência jornalística.

O golpe de marketing que explodiu após a eleição de Trump

O timing do esquema não foi por acaso. Após a reeleição de Donald Trump em 2024, a Polymarket viu seu volume de negociações disparar. A empresa, que foi banida dos EUA em 2022 por operar sem licença, agora tenta voltar ao mercado americano — e para isso, precisa de credibilidade.

Um dos casos mais emblemáticos aconteceu durante a campanha eleitoral de 2024. Shane Ginsberg, um influenciador que recebeu mais de US$ 77 mil de Modabber, produzia vídeos de "entrevistas de rua" onde perguntava "Trump ou Biden?" — e sempre mostrava a Polymarket na tela. Em alguns vídeos, os entrevistadores nem mencionavam a plataforma, apenas usavam uma camiseta com o logotipo da empresa. É a publicidade subliminar do século 21.

O que diz a lei? Especialistas apontam violação

Robin Moore, ex-vice-conselheiro geral da Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC), afirmou que esse tipo de prática "geralmente deveria ser divulgada". A FTC exige que influenciadores revelem qualquer "conexão material" com produtos que endossam.

Quando questionada, a Polymarket disse que as parcerias fazem parte de "práticas comerciais padrão". Mas o porta-voz se recusou a responder por que Modabber usou uma conta pessoal para os pagamentos, ou se as transações foram reportadas ao fisco como despesas empresariais. Um silêncio que levanta mais suspeitas do que respostas.

O futuro das apostas políticas: uma bomba-relógio regulatória

O governo Trump, que tem o filho do presidente como investidor da Polymarket, adotou uma postura branda em relação às plataformas de apostas. Mas a pressão aumenta: há preocupações crescentes com insider trading e manipulação de mercados.

Enquanto isso, a Polymarket continua comprando influenciadores como se fossem commodities. Um dos pagos, que não quis se identificar, resumiu o sentimento: "Todo mundo era ou Polymarket ou Kalshi. Eles literalmente dominaram todos os grandes influenciadores."

Para você, leitor, fica a lição: da próxima vez que ver um post sobre "probabilidades de mercado" ou "previsão infalível", pergunte-se: quem está pagando por essa informação? Porque, como mostrou essa investigação, a verdade muitas vezes tem um preço — e ele é pago em PayPal.

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há 5 minutos

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