Publicidade

O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton confirmaram que irão comparecer para depor perante o Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes sobre o caso do financista Jeffrey Epstein. A informação foi divulgada na noite desta segunda-feira (02) pelo advogado e aliado do casal, Angel Ureña, em uma postagem na rede social X.

A confirmação representa uma mudança de posição após meses de impasse com o comitê, presidido pelo deputado republicano James Comer. O colegiado havia rejeitado formalmente as condições impostas pelos Clinton para o depoimento e mantinha a possibilidade de abrir um processo por desacato contra o casal.

Negociação e recuo

Publicidade

Na publicação feita às 20h27 (horário de Brasília), Angel Ureña afirmou que o casal negociou “de boa-fé” com o Congresso. “O ex-presidente e a ex-secretária de Estado estarão lá. Eles aguardam estabelecer um precedente que se aplique a todos”, escreveu. A mensagem foi repostada nos perfis oficiais de Bill e Hillary Clinton e foi uma resposta direta ao perfil oficial do Comitê de Supervisão.

O comitê havia acusado publicamente o casal de tentar evitar o desacato ao pedir “tratamento especial” após descumprir intimações legais. Em sua publicação, o colegiado afirmou que os Clinton “não estão acima da lei” e divulgou imagens da carta enviada pelo deputado James Comer rejeitando as exigências da defesa.

Exigências rejeitadas pelo Congresso

No documento, o comitê recusou três condições principais apresentadas pelos Clinton: limitar o escopo do depoimento de Bill Clinton, substituir uma deposição sob juramento por uma entrevista voluntária e impor um limite rígido de quatro horas para o testemunho. A carta também exigiu o comparecimento presencial de Hillary Clinton, afastando a possibilidade de ela prestar declarações por escrito.

A confirmação do comparecimento representa um recuo em relação à posição anunciada em 13 de janeiro, quando o casal informou que não deporia, alegando que as intimações eram juridicamente inválidas e que o comitê não havia avançado na apuração sobre a atuação do governo no caso Epstein.

Contexto da investigação

A investigação parlamentar foi aberta após a divulgação de cerca de 30 mil páginas de documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre Jeffrey Epstein. O financista foi encontrado morto em sua cela em agosto de 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações federais de tráfico sexual de menores.

O Comitê de Supervisão busca apurar não apenas a atuação do governo federal no caso, mas também a rede de relações e eventuais tentativas de influência envolvendo figuras públicas. Até o momento, a única pessoa condenada criminalmente como cúmplice de Epstein é Ghislaine Maxwell.

Próximos passos

O Comitê de Supervisão ainda não divulgou a data oficial para o depoimento do casal Clinton. No entanto, a carta enviada pela presidência do colegiado afirma que a intenção é concluir as oitivas dentro do expediente legislativo, sem prorrogações desnecessárias. Caso o comparecimento se confirme nos termos exigidos pelo Congresso, o processo de desacato contra Bill e Hillary Clinton tende a ser suspenso.