O BNY Mellon, um dos maiores bancos custodiantes do mundo, anunciou nesta quarta-feira um programa de auxílio financeiro para que seus funcionários nos Estados Unidos comprem a primeira casa. A iniciativa oferece um pagamento único de US$ 6,5 mil para empregados que ganham US$ 100 mil ou menos por ano, além de educação para compradores e acesso a benefícios hipotecários.
A medida é parte de um esforço mais amplo do banco para ajudar seus trabalhadores a construir patrimônio, em um momento em que a acessibilidade à moradia se deteriora em todo o país. "A propriedade da casa própria é um caminho para a segurança financeira e a prosperidade econômica, e estamos comprometidos em ajudar nossa gente a alcançá-la", disse o CEO do BNY, Robin Vince, em comunicado à imprensa.
Cenário de crise impulsiona iniciativa corporativa
O anúncio ocorre em um contexto de pressão histórica sobre o custo da moradia nos EUA. De acordo com a Associação Nacional de Corretores de Imóveis (NAR), o preço médio nacional de uma casa unifamiliar existente atingiu US$ 429,4 mil no segundo trimestre. Pesquisa do Goldman Sachs mostra que a parcela média mensal do financiamento hipotecário na renda dos potenciais compradores subiu de menos de 20% antes da pandemia para mais de 30% desde 2022.
Em comparação, o crescimento salarial ficou substancialmente para trás. A renda familiar média dos EUA foi de US$ 80.734 entre 2020 e 2024, segundo dados do Census Bureau. Um relatório de 2025 do Realtor.com descobriu que uma família de assalariados no estado de Nova York precisaria ganhar coletivamente US$ 177 mil por ano para acompanhar os pagamentos mensais projetados da hipoteca.
Como funciona o programa de auxílio
Para chegar ao valor de US$ 6,5 mil, o BNY apontou para dados da NAR que indicam que o pagamento inicial médio para compradores pela primeira vez é de cerca de 9% – um pico em aproximadamente uma geração. Um porta-voz da empresa afirmou que o banco buscou um valor que pudesse "equipar de forma significativa" os funcionários para comprar um imóvel.
O programa está vinculado à estrutura "Ganhar, Poupar, Investir, Apoiar" do banco, que inclui seminários e fóruns educacionais sobre temas que vão desde a pontuação de crédito até o gerenciamento de custos de fechamento de imóveis. Outros benefícios do programa são projetados para ajudar os trabalhadores a construir uma reserva financeira, como a correspondência de pagamentos de empréstimos estudantis nas contas 401(k) dos funcionários e um plano de saúde com prêmio zero para quem ganha US$ 75 mil ou menos por ano.
Compromisso histórico com habitação acessível
O BNY Mellon, sediado em Nova York e com quase 50 mil funcionários em todo o mundo, detém cerca de US$ 59 trilhões em ativos para instituições como fundos de pensão e seguradoras. Desde 2023, o banco comprometeu cerca de US$ 3 bilhões para ajudar compradores em todo os EUA a obter moradia acessível, por meio de uma mistura de empréstimos, investimentos e compras de títulos lastreados em hipotecas.
Em setembro, a empresa lançou uma nova iniciativa para impulsionar a educação financeira nos EUA, incluindo um compromisso de US$ 10 milhões com organizações sem fins lucrativos. O CEO Robin Vince já havia comentado sobre a importância crescente da acessibilidade em uma chamada de resultados, dizendo que a administração está "corretamente focada na acessibilidade, na redução dos custos de empréstimo, na redução dos custos de hipotecas, na redução do custo de vida dos americanos e no crescimento dos salários".
Lançamento coincide com mês da educação financeira
A estreia da oferta ocorre durante o primeiro Mês Nacional de Educação Financeira, que acontece em abril e levou até o Tesouro dos EUA a planejar eventos para melhorar o conhecimento dos americanos sobre gestão de dinheiro. Na mesma semana, o BNY foi designado pelo Tesouro dos EUA como agente financeiro para apoiar a implantação das chamadas "Contas Trump", um programa de poupança apoiado pelo governo. O banco também afirmou que igualará a contribuição de US$ 1.000 do governo para recém-nascidos de funcionários elegíveis.
A empresa tem aumentado gradualmente os benefícios de planejamento financeiro dos funcionários diante das crescentes pressões de acessibilidade nos últimos anos, posicionando o auxílio à habitação como mais um pilar em sua estratégia de bem-estar corporativo.