Caso Master atinge PT: venda da Ebal na Bahia é origem de esquema que beneficiou aliados
Venda da estatal baiana Ebal em 2018 por R$ 15 milhões abriu caminho para negócios do Banco Master, que agora respinga em Jaques Wagner e Rui Costa
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (18) uma nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga o esquema do Banco Master. O desdobramento atingiu em cheio o PT, com o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, na mira dos investigadores. Ele é suspeito de receber um imóvel de R$ 2,5 milhões de Augusto Lima, ex-CEO do Banco Master e sócio do banqueiro Daniel Vorcaro.
A origem da trama remonta a 2018, quando o governo da Bahia, então sob gestão de Rui Costa (PT), hoje ministro da Casa Civil, vendeu a Ebal (Empresa Baiana de Alimentos) por R$ 15 milhões. A estatal, criada em 1979, acumulava dívidas de R$ 381 milhões. O negócio incluía a rede de supermercados Cesta do Povo e, principalmente, o Credcesta, um cartão de benefícios consignado voltado a servidores públicos.
Venda da Ebal abriu portas para o mercado de crédito
Após leilões fracassados com lance inicial de R$ 81 milhões, o governo baiano reduziu o preço e incluiu o Credcesta no pacote. O comprador foi o consórcio paulista NGV Empreendimentos e Participações, controlado por Augusto Lima. O serviço de crédito consignado se tornou a porta de entrada para um mercado promissor: o de empréstimos com desconto automático na folha de pagamento de servidores.
Anos depois, Augusto Lima expandiu o negócio em parceria com o Banco Master, onde atuou como CEO. Em 2025, ele migrou para o Banco Pleno, também alvo das investigações que miram Daniel Vorcaro. O banco que cresceu com o dinheiro de aposentados e servidores públicos posteriormente repassou R$ 12 milhões para uma empresa financeira de Bonnie Bonilha, nora de Jaques Wagner.
Wagner era secretário de governo da Bahia na época da venda da Ebal. Ele foi o idealizador do negócio que, indiretamente, beneficiou sua nora anos depois. A operação desta quinta-feira (18) também respinga em Rui Costa, governador à época.
Esquema ampliou relações com extrema-direita e centrão
Com o crescimento do Banco Master, os negócios se expandiram para além do PT. A instituição financeira abriu os cofres para políticos de diferentes espectros ideológicos. Entre os supostos beneficiários do esquema estão Flávio Bolsonaro (PL), que pediu a Vorcaro dinheiro para patrocinar um filme sobre o próprio pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Também foram citados Ciro Nogueira (PP), Hugo Motta (Republicanos) e Davi Alcolumbre (União Brasil).
Os mimos incluíam festas, viagens, deslocamentos e financiamento de produções audiovisuais. Todos eles agora correm para limpar as pegadas das relações com o banqueiro investigado.
Contexto histórico e próximos passos
A nova fase da Operação Compliance Zero coloca o PT em uma posição delicada na guerra eleitoral que se avizinha. Em Brasília, já se sabia que a Bahia era um "pé e meio de barro" para o partido no escândalo que até agora acertou o coração da campanha de Flávio Bolsonaro. A venda da Ebal, em 2018, foi o ponto de partida de um enredo regional que agora atinge o PT nacionalmente.
A Polícia Federal continua as investigações para apurar a extensão do esquema e os possíveis crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influência. O senador Jaques Wagner ainda não se manifestou oficialmente sobre as acusações. O Ministério da Casa Civil, comandado por Rui Costa, também não comentou o caso até o fechamento desta matéria.
Box explicativo: O que é o Credcesta?
O Credcesta era um cartão de benefícios consignado oferecido pela Ebal a servidores públicos da Bahia. Funcionava como intermediário entre um cartão de crédito convencional e um empréstimo, permitindo obter crédito com desconto automático na folha de pagamento. O serviço foi incluído na venda da estatal em 2018 e se tornou a base para a expansão dos negócios de Augusto Lima e do Banco Master.
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