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Fundo de pensão canadense investe R$ 4,2 bilhões em data centers na Índia
Ciência e Tecnologia

Fundo de pensão canadense investe R$ 4,2 bilhões em data centers na Índia

CPP Investments adquire 8,2% da CtrlS e firma joint venture para expansão de infraestrutura de IA e nuvem.

Redação
Redação
17 de junho de 2026

O Canada Pension Plan Investment Board (CPP Investments), um dos maiores fundos de pensão do mundo, anunciou nesta quarta-feira um investimento de até ₹70 bilhões (cerca de R$ 4,2 bilhões) na operadora indiana de data centers CtrlS. O movimento reforça a aposta global em infraestrutura para inteligência artificial (IA) e computação em nuvem.

Do total, ₹40 bilhões (aproximadamente R$ 2,4 bilhões) serão usados para adquirir uma participação de 8,2% na CtrlS. Outros ₹30 bilhões (cerca de R$ 1,8 bilhão) serão destinados a uma joint venture para desenvolver campi de data centers hiperscale em toda a Índia.

Detalhes do acordo

Na joint venture, o CPP Investments terá 48% de participação, enquanto a CtrlS ficará com os 52% restantes, conforme comunicado conjunto das empresas. A CtrlS, fundada em 2007 e sediada em Hyderabad, opera mais de 15 data centers no país e tem expandido sua capacidade para atender à crescente demanda de provedores de nuvem, empresas e cargas de trabalho de IA.

“Como um dos mercados digitais que mais crescem no mundo, a Índia representa um pilar importante de nossa estratégia global de data centers”, afirmou Max Biagosch, chefe global de ativos reais do CPP Investments, em nota.

Índia como hub de IA

A Índia se consolidou como um destino prioritário para investimentos em data centers e IA. Gigantes como Amazon, Google, Microsoft, OpenAI e Uber anunciaram aportes no país nos últimos meses, enquanto operadores locais correm para ampliar a capacidade diante da demanda explosiva por processamento computacional.

O CPP Investments, que investe na Índia desde 2009, tinha ativos líquidos de cerca de US$ 20 bilhões no país em 31 de março, sendo um dos maiores investidores institucionais estrangeiros no mercado. O fundo atua no setor de data centers desde 2017 e já possui um portfólio de ativos e joint ventures em mercados globais.

Expansão e concorrência

A parceria com a CtrlS permitirá aumentar a capacidade e construir infraestrutura adaptada para cargas de trabalho de IA, segundo Sridhar Pinnapureddy, fundador e CEO da empresa. O anúncio ocorre em meio a uma corrida por investimentos no setor indiano.

No início de maio, a AirTrunk, apoiada pela Blackstone, disse que investirá US$ 30 bilhões para construir cinco gigawatts de capacidade de data center na Índia até 2030. Já a Meta fechou parceria com a Reliance Industries na semana passada para um data center de 168 megawatts habilitado para IA no estado de Gujarat.

Políticas de incentivo

O governo indiano tem adotado medidas para atrair investimentos, como isenções fiscais para provedores de nuvem estrangeiros sobre serviços vendidos no exterior até 2047, desde que as cargas de trabalho sejam executadas em data centers localizados no país. Grandes conglomerados indianos, como o Adani Group e a Tata Consultancy Services, também anunciaram projetos de data centers para IA e nuvem.

Em 2023, a CtrlS já havia revelado planos de investir US$ 2 bilhões em seis anos para expandir sua presença no país.

Desafios e contexto

Apesar do avanço em infraestrutura, a Índia ainda engatinha no desenvolvimento de modelos de IA próprios. Empresas como a Sarvam trabalham em modelos nativos, mas a maior parte da tecnologia de IA usada por companhias indianas ainda é fornecida por empresas dos Estados Unidos.

A rápida construção de data centers também deve aumentar a pressão sobre os recursos de eletricidade e água, levantando questionamentos sobre os desafios ambientais que acompanham a ambição indiana de se tornar um grande hub de infraestrutura de IA.

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