Centro de detenção de Nova York onde Maduro está preso é descrito como "inferno na Terra"
Unidade projetada para mil detentos já abrigou 1.600 e registra superlotação, violência e condições insalubres.
O Centro Metropolitano de Detenção (MCD) do Brooklyn, em Nova York, onde o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro está preso desde sábado (3), é alvo de críticas recorrentes por suas condições precárias. A prisão, que já abrigou figuras notórias como o narcotraficante Joaquín "El Chapo" Guzmán e o rapper Sean "Diddy" Combs, foi descrita por advogados americanos como "inferno na Terra". Juízes federais chegaram a se recusar a enviar condenados para o local devido às más condições.
Maduro e sua esposa, Cília Flores, foram capturados em Caracas por forças dos EUA no último sábado e transportados para Nova York. Eles se declararam inocentes das acusações de narcoterrorismo, tráfico de drogas e posse de armas durante audiência no Tribunal Federal de Manhattan nesta segunda-feira (5).
Infraestrutura projetada para conectar tribunais
Inaugurada na década de 1990 para combater a superlotação, a prisão ocupa um edifício de concreto e aço de vários andares próximo ao porto de Nova York. O complexo é projetado com corredores internos que conectam diretamente os tribunais de Manhattan e Brooklyn, permitindo o transporte de acusados sem exposição pública. Rodeado por barricadas de aço e câmeras de vigilância, o MCD também possui áreas para atividades esportivas, unidades médicas e uma biblioteca.
Superlotação crônica e problemas estruturais
A unidade, projetada para cerca de 1.000 detentos, chegou a abrigar 1.600 presos em 2019, segundo a BBC. Atualmente, o número é de 1.336 detentos, de acordo com dados do Departamento Federal de Prisões dos EUA (BOP). A superlotação contribui para conflitos constantes e episódios de violência. Em 2019, uma falha elétrica deixou os detentos sem aquecimento por vários dias durante o inverno, evidenciando problemas na infraestrutura.
O advogado Edwin Cordero usou a expressão "inferno na Terra" após seu cliente, Uriel Whyte, ser morto a facadas por outros detentos em junho de 2024, conforme reportagem da CNN. David Patton, ex-diretor da Defensoria Pública Federal de Nova York, apontou falhas graves que vão da falta de atendimento médico e problemas de saneamento à presença de vermes na comida.
Violência e decisões judiciais
O cenário de violência e condições insalubres ajuda a explicar ao menos quatro suicídios registrados entre 2021 e 2024 no MCD. Diante dessa realidade, magistrados passaram a evitar o envio de condenados ao presídio. Em agosto de 2024, o juiz Gary Brown afirmou que substituiria por prisão domiciliar a pena de um idoso condenado por fraude fiscal caso ele fosse encaminhado ao MCD.
O complexo abriga tanto presos aguardando julgamento quanto condenados cumprindo penas curtas. A detenção de Maduro neste local, conhecido por suas condições difíceis, adiciona um novo capítulo à história da unidade carcerária que fica a poucos quilômetros de atrações como a Quinta Avenida e o Central Park.
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