O co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, afirmou que a empresa desistiu da disputa pela aquisição dos estúdios e do negócio da HBO da Warner Bros. Discovery (WBD) por questões financeiras, e não por pressões políticas. A declaração foi dada em entrevista ao Bloomberg no último fim de semana, após a Paramount, controlada por Larry e David Ellison, vencer a licitação.
Sarandos disse que a Netflix se retirou do processo porque não quis aumentar o preço que estava disposta a pagar. A oferta inicial da empresa de streaming era de US$ 27,75 por ação. O executivo negou que a resistência de republicanos em Washington ou de reguladores ao redor do mundo tenha influenciado a decisão.
Encontro na Casa Branca e cronologia da decisão
A desistência da Netflix foi anunciada pouco depois de Sarandos visitar a Casa Branca na quinta-feira passada, o que alimentou especulações sobre um possível veto político. No entanto, o CEO foi enfático: "Foi uma reunião muito produtiva, nada fora do comum", declarou, acrescentando que a decisão de abandonar a disputa já havia sido tomada mais cedo naquele dia.
Segundo Sarandos, a Netflix decidiu se retirar assim que a Warner Bros. Discovery informou que a proposta mais recente da Paramount era uma "oferta superior". O mercado de mídia esperava que a Netflix contra-atacasse com uma nova oferta, o que não ocorreu.
Negando influência de Trump e republicanos
Questionado repetidamente sobre o papel do ex-presidente Donald Trump ou de qualquer outro político na decisão, Sarandos insistiu que a resposta era zero. "As coisas têm seguido exatamente como deveriam", afirmou, argumentando que "o presidente manteve-se completamente neutro nisso".
David Ellison, da Paramount, é conhecido por suas tentativas de cortejar Trump e outros republicanos, tendo comparecido ao discurso sobre o Estado da União na semana passada como convidado do senador aliado de Trump, Lindsay Graham. Apesar disso, Sarandos descartou qualquer conexão.
O papel da CNN na equação
Um ponto crucial na disputa era o destino da CNN, atualmente pertencente à WBD e que se tornaria parte da Paramount caso o negócio seja concluído. Trump já havia declarado publicamente ser "imperativo que a CNN seja vendida".
A oferta da Netflix, no entanto, não incluía a rede de notícias nem os outros canais a cabo básicos da WBD. Sarandos explicou que, uma vez ficando claro que a Netflix não estava no negócio da CNN, o interesse de Trump diminuiu. "Uma vez que ficou claro que não estávamos no negócio da CNN, ficou muito menos interessante. Ele não se importou muito mais com o nosso acordo", disse o executivo.
Um representante da Netflix esclareceu posteriormente que, na visão da empresa, Trump simplesmente perdeu interesse no desfecho da oferta da Netflix após entender que ela não envolvia a CNN, e não que tenha deixado de apoiá-la ativamente.
Próximos passos e futuro das aquisições
Sarandos afirmou que é "improvável" que a Netflix tente comprar outro grande ativo no próximo ano ou mais. A declaração sugere um período de digestão para a gigante do streaming, que pode precisar voltar a Washington no futuro para buscar aprovação para um acordo diferente.
A Paramount agora segue como vencedora da licitação, assumindo os desafios regulatórios e a integração dos vastos ativos da Warner Bros. Discovery, incluindo a HBO e seus estúdios cinematográficos.