Chefe da Apollo quebra o silêncio: não há nenhuma evidência de que a IA está roubando empregos
Enquanto o pânico toma conta do mercado, economista-chefe da Apollo Global Management solta uma bomba: dados oficiais mostram o oposto.
Se você está preocupado em perder o emprego para a inteligência artificial, respire fundo. Pelo menos é o que sugere Torsten Sløk, o economista-chefe da gigante de investimentos Apollo Global Management. Em um post publicado na última sexta-feira, ele foi direto ao ponto: “não há zero evidência de perda de empregos por causa da IA”.
Para embasar a afirmação, Sløk usou dados do ADP National Employment Report, que mostraram que as empresas privadas americanas adicionaram quase 110 mil pessoas à folha de pagamento só em abril. O que está acontecendo, na verdade, é o contrário do que muitos temem: as companhias estão contratando profissionais que dominam habilidades em inteligência artificial.
O paradoxo que desafia o pânico geral
“Muitas empresas estão contratando especialistas em implementação de IA, e a construção de data centers está pressionando os salários para cima”, explicou Sløk. O resultado? O boom de gastos com IA está, na verdade, aquecendo tanto o emprego quanto a inflação. Parece contraintuitivo, mas o economista já havia defendido essa tese em abril: “Insumos mais baratos não encolhem indústrias. A IA vai aumentar tanto a produtividade quanto o emprego.”
Essa visão encontrou eco em nomes de peso. O CEO do Box, Aaron Levie, o fundador da Dell, Michael Dell, e até David Sacks, o czar da IA e cripto da Casa Branca, concordaram publicamente. David Solomon, CEO do Goldman Sachs, também fez um argumento similar em um artigo no New York Times.
O outro lado da moeda: demissões e a “lavagem” de IA
Mas não se engane: a realidade tem dois lados. Pelo menos uma dúzia de grandes empresas já citaram a IA como fator para demissões neste ano. Jack Dorsey, do Block, reduziu o quadro de mais de 10 mil para menos de 6 mil funcionários. Cisco, Atlassian, Cloudflare e Snap também estão na lista.
No entanto, Jensen Huang, CEO da Nvidia — um dos pilares da indústria —, criticou duramente essa narrativa. “Acho que a história que conecta IA à perda de empregos é preguiçosa demais”, disparou. Sam Altman, do OpenAI, chamou a prática de “AI washing”: culpar a tecnologia para justificar cortes que teriam acontecido de qualquer jeito.
O que esperar do futuro do trabalho?
Para Sløk, estamos vivendo o “Paradoxo de Jevons” em tempo real: conforme a tecnologia barateia e se torna mais eficiente, o consumo dela — e a demanda por humanos — só aumenta. “Tecnologia mais barata está criando mais demanda e mais empregos”, concluiu.
Se ele está certo, a verdadeira pergunta não é se a IA vai te substituir, mas se você está se preparando para trabalhar ao lado dela. O mercado já está dando o recado.
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