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O verdadeiro motivo pelo qual o novo Ferrari elétrico está valorizando seus carros clássicos (e enriquecendo donos)

O verdadeiro motivo pelo qual o novo Ferrari elétrico está valorizando seus carros clássicos (e enriquecendo donos)

Enquanto a internet critica o visual do Luce, os modelos antigos da marca dispararam de preço. Descubra o segredo por trás desse fenômeno.

Redação
Redação

31 de maio de 2026 ·

Você já imaginou ficar mais rico por causa de um carro que você nem gostou? Pois foi exatamente isso que aconteceu com Ulf Poschardt, publisher da WELT e dono de quatro Ferraris pretos na garagem. Desde que o Ferrari Luce, o primeiro elétrico da marca, foi revelado, uma tempestade de críticas tomou conta da internet. Mas, nos bastidores, um movimento silencioso e lucrativo começou: os clássicos da Ferrari dispararam de valor.

Não se engane: a polêmica em torno do Luce não está destruindo a marca — está, na verdade, cimentando o status de lenda dos modelos antigos. E isso tem um nome: efeito guarda-chuva. Quanto mais a Ferrari se arrisca no futuro, mais raros e desejáveis se tornam os carros que carregam a alma do fundador.

O ódio dos fãs está enchendo os bolsos dos colecionadores

“Alguém me ligou outro dia e ofereceu uma fortuna pelo meu Testarossa preto”, revela Poschardt. “Ele viu o vídeo do meu passeio triunfante no dia seguinte à apresentação do Luce.” A cena é quase poética: enquanto o mundo digital se rasgava em memes sobre o novo elétrico, um homem ligava para comprar um pedaço da história analógica.

Isso não é coincidência. É a prova de que a Ferrari, mais do que uma montadora, é uma religião. E como em toda fé, quando o novo templo é controverso, as relíquias sagradas se tornam ainda mais valiosas. “Eu não vendo”, respondeu o dono. “Nunca vou vender. Sou o anjo da guarda do espírito de Enzo Ferrari.”

O que o Luce tem a ver com a valorização dos clássicos?

Tudo. O Luce não é apenas um carro elétrico; ele é um anti-Ferrari. Desenhado por Marc Newson e Jony Ive (sim, o designer da Apple), o modelo abandona deliberadamente a estética de curvas sinuosas e motorzão vibrante que consagrou a marca. Em vez disso, parece um objeto vindo do “espaço digital abstrato” — um lugar que está em toda parte e em lugar nenhum.

Enquanto uma Ferrari clássica parece ter nascido para correr nas estradas do Lago Como, o Luce parece um brinquedo da Playmobil saído de uma caixa de areia. “Em alguns lugares, o carro lembra um carro dos Flintstones”, ironiza o autor. Essa ruptura estética chocou os puristas, mas gerou um efeito colateral poderoso: reafirmou que a verdadeira alma da Ferrari está nos carros do passado.

O paradoxo que está mudando o mercado

Enzo Ferrari dizia que, com seus carros, você comprava o motor e ganhava o resto de graça. O Luce, com seus mais de 1.000 cavalos de potência e velocidade máxima de 310 km/h, não tem esse coração de metal. Ele é um dispositivo digital sobre rodas. E é exatamente essa frieza que torna os modelos antigos — com seus motores Colombo e Lampredi — objetos de desejo ainda mais intensos.

O resultado? Colecionadores estão recebendo ligações com ofertas cada vez mais altas. O mercado de Ferraris clássicos, que já era aquecido, ganhou um novo impulso. Não por acaso, o autor chama sua garagem de “fundo de aposentadoria”.

O futuro: um jogo arriscado ou uma jogada de mestre?

A pergunta que fica é: o Luce será lembrado como o maior blefe da história da Ferrari ou como um “beco sem saída espetacular”? A resposta, ninguém sabe. Mas uma coisa é certa: a Ferrari decidiu fazer essa transformação de forma radical, não cautelosa. E nisso, ao menos, reside um resquício daquela velha megalomania que sempre tornou a marca fascinante.

Para quem tem um clássico na garagem, a notícia é boa: quanto mais o novo divide opiniões, mais o antigo se valoriza. E para quem sonha em ter um, o alerta é claro: o tempo está correndo. Os “anjos da guarda” do espírito de Enzo não estão vendendo.

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