Trump ameaça explodir Omã: o verdadeiro motivo por trás da crise com o Irã
Entenda como o pequeno país mediador foi parar na mira do presidente americano após reportagem iraniana
Você já imaginou um país que é conhecido como a "Suíça do Oriente Médio" ser ameaçado de ataque pelo presidente dos Estados Unidos? Pois foi exatamente isso que aconteceu na última quarta-feira (27), quando Donald Trump reagiu de forma explosiva a uma notícia que envolvia Omã e o Irã.
A ameaça chocante veio depois que a mídia estatal iraniana publicou um suposto rascunho de acordo entre Omã e Irã para controlar juntos o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta.
A resposta que parou o mundo
"Omã vai se comportar como todo mundo ou teremos de explodir aquilo", disparou Trump ao ser questionado sobre o possível acordo. Menos de 24 horas depois, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, foi ainda mais longe: ameaçou impor tarifas contra qualquer um que facilitasse "pedágios" no estreito.
Mas por que um país pequeno, com pouco mais de 5 milhões de habitantes, virou alvo de tamanha fúria? A resposta está no papel diplomático único que Omã exerce há décadas na região.
O "Suíça" que equilibra gigantes
Omã mantém relações estáveis tanto com Washington quanto com Teerã – algo raro no conturbado Oriente Médio. "Omã tradicionalmente sempre desempenhou um papel de mediador entre os Estados árabes do Golfo e o Irã", explica Marcus Schneider, diretor do projeto regional de Paz e Segurança no Oriente Médio da Fundação Friedrich Ebert.
Para Stefan Lukas, fundador da Middle East Minds, essa é a principal particularidade do país: "Omã é um dos poucos Estados remanescentes na região que ainda mantém uma relação relativamente estável com quase todas as partes envolvidas nos conflitos."
Mas essa posição privilegiada tem um preço. O sultanato está espremido entre dois fogos: de um lado, os acordos militares com os EUA que permitem acesso americano a seus portos e aeroportos; do outro, as relações mais estreitas com o Irã entre todos os países do Golfo.
O que realmente está por trás da ameaça?
Especialistas ouvidos pela reportagem duvidam que Omã realmente queira controlar o Estreito de Ormuz com o Irã. "O Irã tem apresentado cada vez mais o estreito como uma via marítima comum iraniano-omanense, mas em Omã essa ideia é vista com ceticismo", afirma Schneider.
Lukas vai além: considera as reportagens iranianas "pouco críveis", já que o projeto seria "pouco realista". O governo em Mascate não teria "absolutamente nenhum interesse em um controle conjunto com o Irã".
Para muitos analistas, as ameaças de Trump revelam mais sobre a situação na Casa Branca do que sobre Omã. "A reação de Trump às reportagens permite tirar conclusões mais sobre a situação na Casa Branca", diz Lukas. "Os recentes ataques iranianos teriam reforçado dúvidas sobre as garantias de segurança oferecidas pelos EUA aos países do Golfo."
Um modelo para o futuro?
Apesar da tensão, um ataque militar americano contra Omã é considerado extremamente improvável. "Um ataque militar contra um parceiro e mediador de longa data enfraqueceria ainda mais a influência dos EUA na região", alerta Schneider.
Curiosamente, a política de diálogo de Omã começa a ser vista como um possível modelo. O Center for Strategic and International Studies (CSIS) argumenta que "interdependências econômicas podem, no longo prazo, ser a forma mais eficaz de dissuasão". No fim das contas, a "Suíça do Oriente Médio" pode ter mais a ensinar do que parece – mesmo sob a mira de um presidente americano furioso.
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