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**Imagine ser demitido no mesmo dia em que sua empresa anuncia o maior faturamento de todos os tempos.** Foi exatamente isso que aconteceu com 1.100 funcionários da Cloudflare na última quinta-feira.

O paradoxo da demissão no lucro recorde

A Cloudflare, gigante de segurança e performance na internet, divulgou um faturamento de **US$ 639,8 milhões** no primeiro trimestre de 2026 — um crescimento de 34% em relação ao ano anterior. O maior da história da companhia.

E, no mesmo comunicado, anunciou o corte de **20% do seu quadro de funcionários**. Pela primeira vez em 16 anos, a empresa fez uma demissão em massa.

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“Nunca fizemos algo assim na história da Cloudflare”, admitiu o CEO Matthew Prince, visivelmente desconfortável durante a teleconferência com investidores.

O “gatilho” que mudou tudo: novembro de 2025

Prince foi direto ao ponto: os cortes **não são para reduzir custos**. A justificativa é exclusivamente técnica e assustadora para quem trabalha com funções administrativas.

“Internamente, o ponto de virada foi novembro passado. Começamos a ver ganhos de produtividade maciços. Membros da equipe estavam **2, 10, até 100 vezes mais produtivos** do que antes. Foi como passar de uma chave de fenda manual para uma furadeira elétrica”, comparou o CEO.

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O uso de inteligência artificial na Cloudflare disparou **mais de 600% nos últimos três meses**. Hoje, toda a equipe de P&D usa ferramentas de codificação com IA, e **100% do código produzido é revisado por agentes autônomos de IA**.

Quem está seguro (e quem não está)

As demissões atingiram todos os departamentos e regiões — com uma exceção cruelmente lógica: **vendedores com metas de receita foram poupados**. O resto?

“Muitas pessoas que prestam suporte por trás dos funcionários… esses papéis não vão ser os que impulsionarão as empresas no futuro”, afirmou Prince, sem rodeios.

Funcionários de RH, finanças e marketing agora executam **milhares de sessões com agentes de IA por dia** para realizar suas tarefas. O resultado é que times altamente produtivos precisam de menos suporte.

Mas a empresa está quebrada? Não exatamente

Apesar do lucro recorde, a Cloudflare ainda opera no vermelho: prejuízo de **US$ 62 milhões** no trimestre, maior que os US$ 53,2 milhões do ano anterior. O crescimento veio acompanhado de mais gastos.

Ainda assim, Prince garante que a empresa vai continuar contratando. “Em 2027, teremos **mais funcionários do que em qualquer momento de 2026**.” A lógica? As pessoas que abraçarem a IA serão tão produtivas que a empresa precisará de mais delas.

O padrão que assusta o mercado

Cloudflare se junta a Meta, Microsoft e Amazon no clube das empresas que **demitem enquanto faturam mais**, usando a IA como justificativa central. Para investidores, é música. Para trabalhadores, um alerta sísmico.

Quando um analista questionou por que cortar tão fundo após um trimestre tão bom, Prince respondeu com uma frase que ecoará nos corredores corporativos: **“Só porque você está em forma não significa que não pode ficar ainda mais em forma.”**