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Você já imaginou estar no meio de uma escalada, confiando em cada movimento, em cada agarra, na corda que te separa do abismo — e de repente tudo desabar? Foi exatamente isso que aconteceu com o mineiro Igor Andreoni Barbabella, de 40 anos, um montanhista experiente que perdeu a vida após cair de uma altura de 80 metros no Morro da Ponta-Aguda, em Itatim, na Bahia. E o mais chocante: a companheira dele, Luiza Nercessian, que subia logo atrás, presenciou cada segundo do acidente.

O que realmente aconteceu na via "Lisbela e o Prisioneiro"?

O casal estava escalando uma via conhecida como “Lisbela e o Prisioneiro” quando o inferno começou. Segundo o relato de Luiza, ainda na primeira enfiada — o trecho inicial entre os pontos de ancoragem — uma agarra se rompeu e uma pedra se soltou durante a progressão. Mesmo assim, o guia local teria dito que a qualidade da rocha melhoraria nas etapas seguintes, o que os motivou a continuar.

Igor, que era natural de Belo Horizonte e tinha vasta experiência em montanhismo, seguiu adiante. Ele avançou por um trecho de quinto grau — considerado confortável para ele — em direção à parada, mas sem utilizar proteção móvel, apesar de carregar os equipamentos. A companheira relatou não saber ao certo se houve erro de trajeto, falha na rocha ou uma queda repentina.

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"Ouvi ele pedir ajuda e o vi despencar"

Momentos depois, Luiza ouviu Igor gritar por socorro. Em segundos, ela viu o companheiro cair ao seu lado. O equipamento de segurança, que deveria ter amortecido o impacto, simplesmente falhou. Segundo ela, a corda — uma Petzl Volta de 9,2 mm com cerca de um ano e meio de uso — teria se rompido. Uma falha que, para qualquer escalador, é o pior pesadelo se tornando real.

Igor Andreoni era muito mais do que um aventureiro. Graduado em Comunicação Social (Jornalismo) e Letras, com especialização em Linguística Aplicada, ele era também vencedor do Prêmio Cristina Tavares 2025, na categoria radiojornalismo. Nas redes sociais, ele compartilhava não só as escaladas, mas viagens e momentos ao lado de Luiza, que agora organiza o velório.

O que a polícia diz sobre o caso?

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A Polícia Civil da Bahia registrou o caso pela Delegacia Territorial de Itatim e segue investigando as circunstâncias da queda. O velório de Igor está marcado para esta quinta-feira (1), das 14h às 17h, no Zelo Memorial, em Belo Horizonte. Enquanto isso, a comunidade de montanhistas e amigos lamenta a perda de um profissional que sabia exatamente o que fazia — e ainda assim foi vítima de uma tragédia que levanta questões sobre a segurança nas escaladas.

O impacto dessa história vai muito além da dor pessoal. Ela acende um alerta para todos que amam a montanha: a confiança no equipamento e na rocha pode ser traída num piscar de olhos. Que a memória de Igor sirva como um lembrete poderoso de que, mesmo para os mais experientes, a natureza sempre terá a última palavra.