Você largaria tudo — emprego estável, casa, país — para recomeçar em um lugar onde o primeiro alerta de míssil chega duas horas depois do pouso? Foi exatamente isso que Renee O’Drobinak fez. E, para sua própria surpresa, ela não se arrepende nem por um segundo.
Uma chegada digna de filme de ação
Renee, diretora de marketing e comunicação, desembarcou em Dubai vinda de Londres há apenas um mês. O voo da Emirates foi tranquilo até o momento em que o avião enfrentou uma tempestade com turbulência severa. “Vi um raio atingir a asa do avião”, conta ela, em entrevista ao Business Insider. Mas o pior ainda estava por vir.
Assim que pisou no aeroporto, as ruas estavam alagadas. Foram quatro horas esperando um táxi. E, como se não bastasse, às 2 ou 3 da manhã, o celular disparou o primeiro alerta de míssil. “Olhei para o meu marido e pensei: ‘O que eu fiz com a gente?’”, lembra.
O medo inicial e a rotina que se impôs
Na primeira semana, os alertas noturnos continuaram, mas algo curioso aconteceu: a cidade se recusou a parar. “As pessoas estão tocando a vida. Há um esforço concentrado para que tudo pareça normal”, diz Renee. Os restaurantes estão mais vazios, o movimento de turistas caiu, mas a sensação de perigo real desapareceu rápido.
Ela começou a malhar cinco dias depois de chegar. “Isso me ajudou a me sentir em casa.” O trânsito, que havia sumido, voltou aos poucos. “Na última semana, a vida já parece quase normal — só um pouco mais quieta.”
Por que ela disse sim ao caos
Renee não estava insatisfeita em Londres. Era head de comunicação em um escritório de arquitetura e ganhava bem. Mas, quando a oportunidade em Dubai surgiu, algo a atraiu — e não era apenas o dinheiro. “Fui conquistada pelas pessoas e pelo cargo, mais do que pela cidade”, explica.
O problema é que ela aceitou a vaga em novembro de 2025 e daria três meses de aviso prévio. Faltando quatro semanas para a mudança, a guerra começou. Todos perguntavam se ela desistiria. O que a convenceu a ir foi a postura do futuro chefe: “Ele reconheceu a situação, mas garantiu que as autoridades estavam lidando bem e que minha segurança era prioridade.”
A empresa ainda ofereceu a opção de começar remotamente do Reino Unido. “Isso tornou a decisão muito mais fácil.”
O contraste brutal com Londres
Na capital britânica, Renee vivia em um apertado apartamento de um quarto no sudeste da cidade. A rotina era exaustiva: três a quatro dias por semana de commute até Marylebone, academia depois do trabalho, chegada em casa às 21h, jantar rápido e cama. Nos domingos, cozinhava a semana inteira porque comer fora era caro demais.
“Eu carregava um bolsa gigante com almoço, roupa de academia e notebook. Não éramos pobres, mas o custo de vida em Londres era incrivelmente alto.” Mesmo com promoções e aumentos, o estilo de vida não mudava. “Eu me sentia financeiramente estagnada — não por culpa do empregador, mas porque tudo em Londres tinha ficado caro demais.”
O paraíso (com ressalvas) em Dubai
Agora, Renee tem um salário 45% maior do que em Londres. Mora em um apartamento de dois quartos na Marina de Dubai, perto de uma estação de trem. O trajeto para o trabalho é de 30 minutos. E, pasme: sol quase todos os dias. “O tempo cinzento de Londres realmente me afetava”, desabafa.
Depois do expediente, ela e o marido caminham pela orla. As pessoas saem do escritório às 17h. “Tenho muito mais tempo do que em Londres.” A academia fica no próprio prédio. Ela pode almoçar fora sem culpa. E a bolsa? “Carrego uma muito mais leve — nem levo o notebook para todo lado.”
Renee se surpreendeu com a imagem que o Ocidente vende de Dubai. “Diziam que eu odiaria, que era brega. Não acho nada disso. Gosto daqui.” E, apesar de todas as tensões geopolíticas, a conclusão dela é uma só: “As pessoas aqui simplesmente tocam a vida. E eu realmente aprecio isso.”