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Imagine estar no centro do poder econômico mundial, segurando as rédeas de uma economia que respira por aparelhos. Foi exatamente isso que Jerome Powell fez hoje, em sua última reunião como chairman do Federal Reserve. E o que ele disse pode mudar a forma como você enxerga o preço da gasolina e o seu próximo financiamento.

O Fed anunciou a terceira manutenção consecutiva dos juros, mantendo a taxa entre 3,5% e 3,75%. Mas o verdadeiro choque não foi o número — foi o que Powell revelou nos bastidores.

O motivo oculto por trás da decisão que ninguém está contando

Powell foi direto: a guerra no Irã e o bloqueio no Estreito de Ormuz são os verdadeiros vilões da história. "Estamos segurando os juros para esperar e ver como as coisas se desenvolvem", disse ele, admitindo que não há previsão para a reabertura da rota marítima. Isso significa uma coisa: a inflação dos preços do petróleo veio para ficar.

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E não é só isso. O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) registrou a votação mais dividida desde 1992. Quatro membros dissentaram, sinalizando um racha profundo sobre o rumo da economia americana. Enquanto Stephen Miran queria um corte de 0,25 ponto, outros três membros preferiam manter a taxa, mas sem o viés de afrouxamento.

O legado de Powell: herói ou vilão da economia?

Para entender o peso dessa saída, é preciso olhar para trás. Powell assumiu em 2018 e enfrentou a pandemia, a invasão da Ucrânia, tarifas e agora a guerra no Irã. "São julgamentos difíceis", resumiu ele, com a humildade de quem sabe que cada decisão afeta milhões de vidas.

Mas nem todos saúdam sua gestão. Enquanto alguns analistas o chamam de "defensor ferrenho da independência do Fed", outros o acusam de ter deixado a inflação escapar do controle e de ter cortado os juros demais em 2024. O veredito? Misto, como a própria economia que ele tentou domar.

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O novo xerife da cidade: Kevin Warsh assume com fortuna bilionária e promessa de mudança radical

Enquanto Powell se despede, Kevin Warsh se prepara para assumir. E a diferença entre os dois não poderia ser maior. Warsh, com um patrimônio estimado em mais de US$ 100 milhões — o que o tornaria o chairman mais rico da história —, já deixou claro que não acredita em "orientação futura".

Em sua audiência de confirmação, Warsh disse que o Fed precisa olhar para o horizonte de longo prazo, não para os próximos três a seis meses. Ele é otimista em relação à IA, acreditando que a tecnologia vai impulsionar a economia e criar empregos, mesmo que torne outros obsoletos.

Mas há um porém: a sombra de Trump. Warsh foi indicado por um presidente que sempre pediu juros mais baixos. E, embora ele jure independência, a pressão política será imensa.

O golpe final: a investigação do DOJ que quase derrubou Powell

Em um capítulo digno de série de suspense, o Departamento de Justiça (DOJ) investigou Powell por suposta má gestão de fundos de construção. A investigação foi arquivada no dia 24 de abril, mas Powell não esqueceu. "Ninguém está acima da lei", disse ele em um vídeo, deixando claro que viu a ação como parte de uma "pressão contínua" da administração Trump.

O senador Thom Tillis, que havia condicionado seu voto a Warsh ao fim da investigação, comemorou: "Estou confiante de que essa investigação acabou." Já a senadora Elizabeth Warren foi mais dura: "Isso coloca Trump um passo mais perto de completar sua tentativa ilegal de assumir o controle do Fed."

O que isso significa para o seu bolso?

Com os juros mantidos, o custo do crédito continua alto. Cartões de crédito, empréstimos pessoais e financiamentos imobiliários não devem cair tão cedo. Por outro lado, os poupadores podem comemorar: os rendimentos das contas de alta rentabilidade continuam atrativos.

Stephen Kates, analista do Bankrate, resumiu: "Não vamos ver taxas mais baixas em cartões de crédito ou linhas de crédito home equity. Isso não é uma má notícia para quem poupa."

Mas o maior alerta vem do petróleo. Com o Brent subindo para US$ 116 o barril e a gasolina já passando dos US$ 4 o galão, a inflação dos preços da energia deve continuar pressionando o bolso do consumidor nos próximos meses. Mark Zandi, economista-chefe da Moody's, foi categórico: "Vamos pagar mais de US$ 4 por galão, e a inflação continuará sendo um problema."

O futuro: uma nova era de incertezas

Powell sai de cena, mas não desaparece. Ele prometeu permanecer no FOMC como governador até ter certeza de que a investigação do DOJ está "bem e verdadeiramente encerrada". "Não vou ser um chairman sombra", disse ele, referindo-se a Warsh.

Enquanto isso, o mercado de trabalho mostra sinais mistos. O país criou 178 mil empregos em março, superando as expectativas, mas a guerra no Irã pode ter efeitos colaterais. Diane Swonk, economista-chefe da KPMG, alertou: "Vamos ver uma criação de empregos muito mais suave daqui para frente, com a incerteza disparando novamente."

Uma coisa é certa: a economia global entrou em uma nova fase. E, como Powell mesmo disse, "a política não é um curso pré-definido". O que vem por aí? Só o tempo — e Kevin Warsh — dirão.