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Elon Musk, CEO da SpaceX e da xAI, afirmou em reunião com funcionários na terça-feira (11) que sua empresa de inteligência artificial precisa de uma fábrica na Lua. O objetivo, segundo informações do The New York Times que ouviu o encontro, é construir satélites de IA e lançá-los ao espaço por meio de uma catapulta gigante, visando obter mais poder de computação que qualquer concorrente.

"Você tem que ir à Lua", disse Musk aos colaboradores, de acordo com o jornal. O empresário não detalhou claramente como a estrutura seria construída ou como reorganizará a recém-fundida entidade xAI-SpaceX, que avança para uma oferta pública inicial (IPO) histórica. A mudança de foco para a Lua é recente; por 24 anos, o objetivo declarado da SpaceX era colonizar Marte.

Fuga de cérebros na liderança da xAI

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O anúncio ocorre em meio a uma onda de saídas na cúpula da xAI. Na segunda-feira (10), o cofundador Tony Wu anunciou sua saída. Menos de um dia depois, Jimmy Ba, outro cofundador que reportava diretamente a Musk, também deixou a empresa. No total, seis dos 12 membros fundadores originais já abandonaram a startup.

As partidas foram descritas como amigáveis. Com a IPO da SpaceX visando uma avaliação de até US$ 1,5 trilhão já neste verão no hemisfério norte, todos os envolvidos terão ganhos financeiros significativos. Musk reconheceu a mudança, dizendo que "algumas pessoas são mais adequadas para os estágios iniciais de uma empresa e menos para os estágios posteriores".

Mudança de Marte para a Lua

No domingo (9), véspera do Super Bowl, Musk surpreendeu ao postar nas redes sociais que a SpaceX havia "mudado o foco para construir uma cidade autossustentável na Lua". Ele argumentou que uma colônia em Marte levaria "20+ anos", enquanto na Lua o objetivo poderia ser alcançado na metade do tempo.

A SpaceX nunca enviou uma missão ao satélite natural da Terra. Para um investidor de venture capital da xAI que conversou com a TechCrunch no ano passado, as ambições lunares não são uma distração, mas parte central do plano de Musk de criar o "modelo de mundo mais poderoso" – uma IA treinada com dados do mundo real exclusivos de suas empresas, como a Tesla e a Neuralink.

Questões legais e incertezas

A visão esbarra em questões legais. O Tratado do Espaço Exterior de 1967 proíbe que qualquer nação ou empresa declare soberania sobre a Lua. No entanto, uma lei americana de 2015 criou uma brecha: é proibido possuir a Lua, mas é permitido possuir o que for extraído dela.

Mary-Jane Rubenstein, professora de estudos de ciência e tecnologia na Universidade Wesleyan, explicou à TechCrunch que a distinção é ilusória. "É como dizer que você não pode possuir a casa, mas pode ter as vigas e os pisos. Porque o material que está na Lua é a Lua", afirmou. China e Rússia não são signatárias dessas regras.

Com a equipe de fundadores minguando e os planos lunares ainda vagos, não está claro quem ajudará Musk nessa aventura ou se a reunião recente resolveu mais dúvidas do que criou.