Publicidade

A declaração da empresária e co-fundadora da marca de roupas íntimas Skims, Emma Grede, de que passa no máximo três horas por dia com seus quatro filhos nos finais de semana reacendeu um intenso debate público sobre maternidade, ambição profissional e os padrões sociais impostos às mulheres. Em entrevista ao Wall Street Journal, Grede, que também é investidora do programa "Shark Tank" nos EUA, afirmou focar na criação de "memórias de alto impacto" com as crianças, gerando reações que variaram de validação a indignação nas redes sociais.

Questionada sobre a repercussão viral de sua fala no programa "Today with Jenna and Sheinelle", em 14 de abril, Grede disse ter ficado "pega de surpresa" pela intensidade das respostas. "Mulheres empreendedoras são submetidas a um padrão impossível, tanto como mães, quanto como mulheres de negócios", argumentou a empresária, destacando a pressão constante enfrentada por mães que trabalham.

Reações de mães trabalhadoras

Publicidade

O Business Insider ouviu quatro mães que conciliam carreira e família para entender como avaliam a declaração e lidam com o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. As respostas refletem a complexidade e a falta de uma fórmula única para a parentalidade.

Uma das entrevistadas, que viveu situação similar na infância, lembrou que sua mãe, banqueira corporativa nos anos 90, também tinha uma agenda lotada. "O que me recordo é que a maior parte do nosso tempo junto acontecia de manhã e à noite, que são as partes mais corridas do dia", relatou. Ela também ponderou sobre a necessidade de uma "rede de apoio muito forte" para sustentar uma carreira de alto nível.

Publicidade

Outra mãe, empreendedora e com três filhos, afirmou não saber definir o que seria "tempo suficiente" com as crianças. "Acho que o equilíbrio muda dependendo da fase da vida em que você está", explicou, acrescentando que busca satisfação tanto na família quanto no trabalho e em seus estudos de MBA.

Ambition, culpa e definições pessoais

Para uma terceira profissional consultada, que é Chief Marketing Officer (CMO), a declaração de Grede foi realista. "Agendas mudam dia a dia, e é difícil equilibrar tudo quando você está construindo algo naquele nível", disse. Ela contou ter feito sacrifícios, como viajar para uma conferência de trabalho durante as férias escolares dos filhos, argumentando que está "construindo algo para prover para eles a longo prazo".

Já uma empresária e mãe que adota uma postura oposta afirmou: "Meus filhos são minhas pessoas favoritas, e quero passar o máximo de tempo possível com eles". Ela destacou a carga mental diferente que as mães ainda carregam, mesmo em casais onde ambos trabalham, e lembrou dos desafios de construir um negócio enquanto criava bebês, muitas vezes levando-os consigo para todos os compromissos.

Impacto do debate

Apesar das visões divergentes, houve consenso entre as entrevistadas de que conversas francas sobre o tema são benéficas. "Isso não é apenas um 'problema de mãe', é algo que toda a família deveria estar pensando, incluindo parceiros e locais de trabalho", defendeu uma delas.

Outra acrescentou que quando mulheres em posições de liderança falam abertamente sobre a realidade, isso ajuda a normalizar diferentes escolhas e permite que as mulheres definam o sucesso em seus próprios termos. Uma visão complementar ponderou que o debate precisa ser contextualizado, já que cada situação familiar é única, variando em termos de suporte financeiro, rede de apoio e fase de vida das crianças.

O caso de Emma Grede escancarou uma discussão que muitas mulheres travam em privado: sobre trade-offs, ambição e os recálculos diários do equilíbrio entre trabalho e vida familiar, em um mundo que frequentemente exige o impossível das mães que desejam se realizar em ambas as esferas.