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Alex Seungyong Yang, 18 anos, fundador de uma startup de pesquisa em inteligência artificial e futuro calouro de ciência da computação, enxerga a IA como uma faca de dois gumes. Enquanto a tecnologia impulsiona seu trabalho, ele reconhece os temores de que a área possa substituir empregos tradicionais da computação.

O estudante, baseado em Seul, na Coreia do Sul, relata que, embora ninguém lhe tenha dito explicitamente que cursar ciência da computação é uma perda de tempo, muitas pessoas ao seu redor expressaram preocupações sobre os riscos. "Acho que essas preocupações apontam para algo válido", afirmou Yang em entrevista ao Business Insider.

Mudança acelerada e concentração de recursos

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Yang observa uma transformação radical na indústria de tecnologia entre 2025 e 2026. "No ano passado, ainda havia um amplo senso de expansão e experimentação, startups, novas ferramentas e grandes lançamentos de modelos. Agora, o que parece dominante é a concentração de recursos em capital, poder de computação e talentos de ponta, junto com um foco mais estreito na infraestrutura de IA", analisou.

Essa aceleração faz com que um ano não pareça mais apenas um ano. Para ele, as graduações em ciência da computação, engenharia e áreas muito técnicas são as únicas que podem compreender totalmente como essa indústria está mudando e a direção dessa mudança.

Lógica e adaptabilidade acima da programação básica

O jovem empreendedor argumenta que a parte importante do estudo não é a codificação ou programação básica, mas entender a lógica por trás dela e a estrutura que pode ser aplicada em qualquer lugar, a qualquer momento. "É tudo sobre resolver o problema, e acho que esse tipo de talento é o mais relevante na era da IA", disse.

Yang pretende usar o conhecimento de sua graduação para desenvolver um tipo de talento de nicho, em vez de simplesmente seguir um caminho muito convencional e se tornar "outro trabalhador fabricado em série". Ele vê seu diploma como uma maneira de construir profundidade, julgamento e adaptabilidade, não apenas habilidades técnicas.

O maior fracasso é a irrelevância

Em sua visão, o cenário atual redefine o conceito de fracasso. "Estar desempregado ou incapaz de encontrar um trabalho costumava ser o fracasso mais óbvio. Agora, dada a frequência com que o desemprego já está acontecendo ao nosso redor, não acho que isso possa ser considerado o maior fracasso. Para mim, o maior fracasso seria uma incapacidade de se adaptar e nos tornarmos irrelevantes com o avanço da tecnologia", declarou.

Ele destaca que um pequeno número de pessoas ou empresas agora pode construir e implantar coisas em uma escala que antes exigia organizações muito maiores. Por isso, ele dedica tempo a construir sistemas reais, contribuir para pesquisas e trabalhar em projetos onde as restrições não são claras e os resultados são incertos.

Competição com IA e com outras pessoas

Yang não vê sua estratégia como garantida, mas espera que desenvolver essa capacidade em domínios específicos seja o que mais importa. "Estou em competição com a IA, mas é igualmente uma competição com outras pessoas. Quero me tornar uma pessoa insubstituível, não apenas em relação à IA, mas também em relação a outras pessoas", afirmou.

Muitos de seus colegas que também cursam ciência da computação e trabalham em startups acreditam que esta é, na verdade, a era mais fácil para começar algo e ter sucesso. Ele acredita que estudar ciência da computação, engenharia ou matemática treina o raciocínio a partir dos primeiros princípios, o trabalho com abstração e o conforto com a incerteza.

"Esses hábitos importam mais do que qualquer habilidade técnica específica, que pode rapidamente se tornar obsoleta. Como as habilidades subjacentes são transferíveis, as pessoas nessas áreas podem estar melhor posicionadas para se adaptar quando as condições mudam, mesmo que a direção da mudança não seja clara", concluiu Yang, expressando otimismo com as oportunidades para quem está disposto a se adaptar e redefinir continuamente seu valor.