Entrar
Estudo revela que adolescentes da Era do Gelo entravam na puberdade aos 13,5 anos
Ciência e Tecnologia

Estudo revela que adolescentes da Era do Gelo entravam na puberdade aos 13,5 anos

Pesquisa com fósseis de 20 mil anos atrás indica ritmo de maturação semelhante ao atual, desafiando ideias sobre amadurecimento precoce.

Redação
Redação

13 de janeiro de 2026 ·
Publicidade

Adolescentes que viveram há mais de 20 mil anos, durante o último período glacial, passavam pela puberdade em idades muito próximas às observadas hoje. É o que revela um estudo internacional publicado no periódico científico Journal of Human Evolution, que analisou restos mortais de 13 indivíduos pré-históricos.

A pesquisa, liderada por April Nowell, da Universidade de Victoria, no Canadá, estima que o início da puberdade naquela época remota ocorria, em média, aos 13,5 anos de idade. O dado contrapõe a percepção moderna de que fatores ambientais contemporâneos estariam acelerando o amadurecimento dos jovens.

Método de análise e marcos do desenvolvimento

Publicidade

Para chegar a essas conclusões, os cientistas examinaram a mineralização dos dentes caninos e o grau de desenvolvimento de ossos da mão, punho, cotovelo, pescoço e pelve dos fósseis. Esses indicadores ósseos foram usados para estimar o estágio de maturação de cada pessoa no momento da morte, já que marcos como a primeira menstruação são difíceis de identificar no registro arqueológico.

Com base nas evidências disponíveis, o estudo sugere que a menarca – primeira menstruação – nas jovens da Era do Gelo ocorria entre os 16 e 17 anos. A transição completa para a vida adulta, por sua vez, parecia acontecer entre os 17 e 22 anos, intervalo considerado semelhante ao observado atualmente em sociedades modernas com melhores condições socioeconômicas.

Caso excepcional de nanismo pré-histórico

Além dos dados sobre crescimento, a pesquisa trouxe à tona um caso considerado raro: o indivíduo apelidado de “Romito 2”. Trata-se de um homem que media entre 1 e 1,30 metro de altura, sendo identificado como o exemplo mais antigo de nanismo na história humana.

As análises indicam que, apesar da baixa estatura, Romito 2 provavelmente já apresentava características de maturidade biológica, como voz mais grave e capacidade reprodutiva. Os pesquisadores sugerem que sua aparência física, mais próxima da de uma criança, pode ter influenciado sua percepção social, sendo talvez considerado mais jovem do que adulto pelo grupo, mesmo após atingir a maturidade.

Implicações da descoberta

“Existe a sensação de que algo mudou drasticamente, mas nossos dados mostram que o ritmo biológico básico já era parecido no passado”, afirmou April Nowell. A descoberta ajuda a relativizar a noção de que os jovens de hoje estariam amadurecendo cada vez mais cedo exclusivamente por causa de fatores ambientais modernos.

O estudo também revela que as noções sociais de infância, adolescência e maturidade já eram complexas mesmo em sociedades pré-históricas, como ilustrado pelo caso de Romito 2, cuja condição pode tê-lo isentado de atividades como a caça, mas não necessariamente de um lugar dentro do grupo.

Deixe seu Comentário
0 Comentários
🍪

Cookies

Nosso site usa cookies para melhorar a experiência do usuário. Ao usar nossos serviços, vocês concorda com a nossa Política de Cookies.