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Um estudo científico publicado na revista Science por pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências indica que o magma sob o supervulcão do Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos, pode estar acumulado em regiões mais rasas da crosta terrestre. A descoberta desafia teorias anteriores e amplia o entendimento sobre os processos que podem levar a uma eventual supererupção.

O supervulcão de Yellowstone é considerado um dos mais perigosos do planeta, localizado sob uma caldeira de aproximadamente 48 por 72 quilômetros. Ele já entrou em erupção três vezes nos últimos 2,1 milhões de anos, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).

Nova hipótese sobre a dinâmica do magma

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A pesquisa propõe um cenário diferente do modelo tradicional de grandes câmaras magmáticas profundas. Segundo os cientistas, o material estaria distribuído em áreas mais superficiais, formando uma mistura viscosa de rochas parcialmente fundidas, conhecida como “magma mush”.

“O magma pode subir da astenosfera superior e se acumular em áreas rasas, onde se mistura com rochas sólidas”, descreve o estudo. Esse processo seria alimentado por movimentos tectônicos e fluxos de rochas quentes que enfraquecem a crosta, criando canais para a ascensão do material.

Impacto potencial de uma supererupção

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Erupções do tipo "supererupção" em Yellowstone podem expelir mais de 1.000 km³ de material vulcânico, incluindo lava, cinzas e gases. Os impactos seriam globais, com nuvens de cinzas cobrindo vastas regiões, prejudicando a agricultura, afetando o clima e colocando milhões de vidas em risco.

Estimativas indicam que um evento dessa magnitude na atualidade poderia causar trilhões de dólares em prejuízos e desencadear efeitos ambientais de longo prazo.

Não há motivo para pânico, afirmam especialistas

Apesar das novas descobertas, cientistas e o próprio USGS reforçam que não há indicações de uma erupção iminente. Com base no histórico geológico, existe um intervalo médio de cerca de 725 mil anos entre grandes erupções.

Considerando que a última supererupção ocorreu há aproximadamente 640 mil anos, ainda haveria, em tese, um longo período até um novo evento. Especialistas, no entanto, ressaltam que esse tipo de cálculo é altamente impreciso, pois vulcões não seguem calendários regulares.

A atividade mais recente na região foi um fluxo de lava de menor escala, há cerca de 70 mil anos.

Vigilância constante e avanço científico

O novo estudo, desenvolvido a partir de um modelo tridimensional detalhado da América do Norte, não prevê uma explosão, mas busca melhorar a compreensão dos processos internos. Para os especialistas, o principal impacto da descoberta está no refinamento dos modelos de monitoramento e na preparação para cenários extremos.

Yellowstone segue sob vigilância constante, lembrando que, apesar do potencial destrutivo, eventos catastróficos desse tipo são extremamente raros na escala de tempo geológico do planeta.