Ex-chefe de tecnologia do Exército dos EUA revela o verdadeiro desafio da inteligência artificial nas forças armadas

Ex-chefe de tecnologia do Exército dos EUA revela o verdadeiro desafio da inteligência artificial nas forças armadas

Adaptar soldados à nova era tecnológica é mais difícil do que implementar as ferramentas, diz Leonel Garciga

Redação
Redação

9 de maio de 2026

Você já imaginou ter acesso às ferramentas mais modernas do mundo, mas não saber como usá-las? Pois é exatamente isso que está acontecendo com o Exército dos Estados Unidos. Enquanto a instituição inunda suas fileiras com inteligência artificial e novas tecnologias, um ex-alto executivo revela o segredo que ninguém está contando: o problema não são os robôs, são as pessoas.

Leonel Garciga, que até a última sexta-feira era o principal oficial de tecnologia do Exército americano, foi direto ao ponto em entrevista ao Business Insider: "A parte mais difícil nunca é a tecnologia, nunca." A verdadeira batalha, segundo ele, é fazer com que soldados e civis repensem como e por que fazem as coisas.

O medo que paralisa a inovação

Garciga, um americano de primeira geração cuja família veio de Cuba, sabe do que está falando. Ele serviu na Marinha e liderou equipes que combatiam bombas improvisadas no Iraque. Agora, ele alerta: "As pessoas ficam sempre nervosas quando a automação chega ou quando a tecnologia aparece."

O ex-CIO do Exército descreveu um cenário onde o maior sinal de demanda dos soldados não é por mais tecnologia, mas sim por treinamento básico. "Provavelmente o maior sinal de demanda que recebemos é: 'Ei, como eu sou treinado nisso porque não entendo o que estou vendo?'", revelou Garciga.

O método radical para quebrar a burocracia

Em vez de seguir os processos tradicionais que levam anos e envolvem discussões intermináveis, Garciga adotou uma abordagem surpreendente: "Vamos apenas disponibilizar isso de forma ubíqua e ver o que acontece. Vamos quebrar alguns vidros."

O ex-oficial descreveu um sistema onde soldados esperavam semanas por acesso a sistemas básicos e enfrentavam papelada interminável para processos rotineiros. Até mesmo ferramentas de comunicação simples frustravam as tropas, com formatos de memorandos rígidos projetados para uma burocracia baseada em papel, não para o trabalho digital moderno.

O pedido mais popular dos soldados

Você não vai acreditar no que os soldados mais pediam ajuda: transformar memorandos bagunçados em documentos que obedecessem às regras de formatação do Exército. Pequenos pontos de atrito burocrático estavam consumindo o tempo e energia dos militares, criando dores de cabeça enormes na força de trabalho.

A solução de Garciga? Empurrar as decisões para baixo e dar mais autoridade aos comandantes. "Não transforme isso em um processo que leva tempo e atrasa as pessoas de obterem a capacidade de que precisam", disse ele.

O futuro incerto da IA no Exército

A adoção rápida de IA pelo Exército criou um certo "chicote" enquanto os trabalhadores lutam para acompanhar o ritmo. Garciga alerta que seu sucessor terá que testar até onde a expansão e a velocidade são sustentáveis. "Expansão desenfreada nunca é uma coisa boa, certo?", questionou.

O ex-CIO, que agora vai para a Booz Allen Hamilton como consultor de IA, deixou uma lição clara: a revolução tecnológica não é sobre máquinas inteligentes, mas sobre como seres humanos aprendem a confiar e trabalhar com elas. E essa, segundo ele, é a batalha mais difícil de todas.

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