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Um antigo silo de mísseis nucleares da Guerra Fria, localizado em um local secreto no Colorado (EUA), está sendo transformado em um centro de dados para processamento de inteligência artificial (IA). O empreendimento é do investidor australiano Nik Halik, que comprou a estrutura descomissionada do governo americano em 2021 por mais de US$ 10 milhões.

O projeto de renovação, que já dura cinco anos, visa aproveitar as características únicas do bunker subterrâneo para criar um ambiente seguro e energeticamente eficiente para servidores de alta performance. Halik, que se autodenomina "thrillionaire" e tem histórico de aventuras extremas, documenta o processo em um canal no YouTube chamado "Nuclear Bunker Living".

Herança da Guerra Fria

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O silo faz parte de uma rede de 18 estruturas construídas nos Estados Unidos para abrigar mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs) do tipo Titan I. Conforme dados do National Park Service, esses mísseis tinham 30 metros de altura e capacidade de lançar ogivas nucleares a mais de 9.600 km de distância.

No total, 54 mísseis Titan I estiveram operacionais entre abril de 1962 e janeiro de 1965, antes de serem tornados obsoletos por tecnologias mais avançadas. Após a desativação, o governo vendeu a maioria das instalações. O silo adquirido por Halik foi posteriormente usado por contratados de defesa e pela DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency).

Estrutura robusta e perigos ocultos

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A instalação se estende por 50 metros abaixo da superfície e possui uma engenharia robusta, com paredes de concreto reforçado com aço capazes de suportar pressões extremas. A sala de controle, onde operadores de 21 a 22 anos poderiam ter acionado os lançamentos, ainda guarda relíquias, incluindo recentes descobertas de papéis com códigos e protocolos de lançamento.

A reforma, no entanto, enfrenta desafios. Halik alerta para perigos como cianeto, tinta à base de chumbo, mercúrio e amianto no nível do porão. Em seus vídeos, ele relata situações de risco, como ao rastejar por um tubo enferrujado que continha um fio elétrico vivo.

Vantagens para um data center

As características físicas do silo são ideais para um data center. A temperatura interna se mantém constante em cerca de 11°C, mesmo no verão, reduzindo drasticamente a energia necessária para resfriar os servidores. Em alguns centros de dados convencionais, o resfriamento pode consumir mais de 30% da eletricidade total.

"A IA precisa de energia. A IA precisa de ambientes seguros para basicamente ter todo o seu poder de processamento computacional", afirmou Nik Halik em entrevista ao Business Insider. Para alimentar o futuro centro, ele planeja substituir a infraestrutura a diesel original por pequenos reatores nucleares e evitar a logística de reabastecimento.

Um novo uso para bunkers

A iniciativa se alinha a uma tendência crescente de aproveitamento de instalações subterrâneas para processamento de dados. A empresa Iron Mountain, por exemplo, utiliza uma antiga mina de calcário na Pensilvânia para armazenamento e processamento de dados, em um complexo de 67 metros de profundidade e 16 hectares.

Paralelamente, Halik promove visões mais ousadas para outros espaços similares. Em um silo desativado no Novo México, ele promove o festival ATOMIKA, descrito como um encontro experimental que funde arte imersiva e música. Para partes de seu próprio bunker no Colorado, ele imagina uma boate com DJ, bar e apresentações.