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Em evento realizado em São Francisco, executivos de diversas indústrias discutiram os impactos e os limites da inteligência artificial no mercado de trabalho e na sociedade. O encontro "The Long Play", promovido pela Business Insider, reuniu cerca de 150 profissionais, incluindo o CEO da Asana, Dan Rogers, e a fundadora da Midi Health, Joanna Strober.

Um tema central foi a necessidade de manter o julgamento humano, a verificação e a empatia como pilares em um mundo cada vez mais automatizado. Enquanto a IA se torna uma ferramenta cotidiana para produtividade, especialistas alertam para os riscos de depender dela em áreas críticas como saúde e segurança.

Ferramenta de produtividade, não de substituição

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Dan Rogers, CEO da Asana, descreveu a IA como um "companheiro do dia-a-dia", utilizado para resumir informações e realizar pesquisas. Ele aconselhou profissionais a focarem em empresas com potencial de crescimento explosivo, as chamadas "foguetes". Fora do trabalho, Rogers enfatizou a consistência em exercícios físicos como algo não negociável.

Carina Hong, fundadora da Axiom Math e bolsista Rhodes, argumentou que a superinteligência atinge seu máximo quando seu resultado pode ser verificado. "A IA mais poderosa será aquela que pode verificar sua própria saída", disse Hong, questionando a confiabilidade de modelos que oferecem múltiplas respostas para problemas complexos.

O valor do discernimento humano

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Vários fundadores destacaram que a capacidade de discernimento se tornou mais valiosa. Talha Khan, CEO da Seda, afirmou que o "gosto" e a capacidade de fornecer contexto são habilidades que diferenciam o trabalho humano. Carmen Li, da Silicon Data, disse usar seu julgamento para identificar quando uma IA está sendo lisonjeira versus precisa. "Não me faça sentir bem. Eu não poderia me importar menos com isso", declarou.

Gary Yasuda, presidente do Milan Institute, comparou as diversas ferramentas de IA a um "conselho de administração" que precisa da direção humana correta. "Se você não fizer as perguntas certas, elas nunca vão realmente ajudá-lo", explicou.

Saúde e entretenimento: setores que apostam na empatia

Na área da saúde, Joanna Strober, fundadora da Midi Health, relatou que sua clínica virtual para mulheres gasta tempo "desmascarando" informações imprecisas de chatbots genéricos. Strober fez uma aposta de que os pacientes ainda desejam falar com um humano para seu cuidado. "O que vamos ser realmente bons é em empatia", afirmou.

No entretenimento, Jason Blum, da Blumhouse Productions, disse não acreditar que a IA tornará os filmes melhores. Após uma parceria com a Meta que gerou críticas online, ele concluiu que a IA compete com o conteúdo gerado por usuários e o "doomscrolling" em redes sociais, e não com a criação hollywoodiana tradicional.

Crítica à cultura do excesso e incerteza sobre o futuro

O guru da longevidade Bryan Johnson criticou a cultura atual que prejudica a saúde e defendeu hábitos como sexo e sono adequado. Questionado sobre o futuro em um mundo com IA e vida mais longa, Johnson foi taxativo: "Minha opinião pessoal é que ninguém tem nada inteligente a dizer sobre o futuro", declarando que previsões muitas vezes revelam ignorância, não conhecimento.

O evento destacou um contraponto ao ritmo acelerado do Vale do Silício, sugerindo que, no longo prazo, ainda há espaço para limites, ceticismo e a intuição humana na condução da tecnologia.