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A FedEx, gigante global de logística com receita de US$ 84 bilhões, está acelerando a automação de seus centros de distribuição. Diferente de concorrentes como a Amazon, que desenvolve sua própria frota robótica internamente, a FedEx está adotando uma estratégia baseada em parcerias com empresas especializadas em robótica.

A abordagem foi ilustrada por um acordo plurianual e não exclusivo com a Berkshire Grey, empresa de robótica do grupo SoftBank. Juntas, desenvolveram o "Scoop", um robô projetado para a descarga em massa de pacotes – a retirada de grandes fardos de múltiplas encomendas de caminhões de uma só vez.

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Segundo Stephanie Cook, diretora de tecnologia avançada e inovação em robótica da FedEx, a descarga em massa é uma das tarefas mais fisicamente exigentes e imprevisíveis nos armazéns da empresa. "Não há nada pronto para uso que reconhecemos que funcionará para nossas necessidades", afirmou Cook, destacando que a colaboração com a Berkshire Grey foi essencial para uma solução que demandou anos de desenvolvimento.

Foco em tarefas perigosas e com retorno claro

A empresa prioriza a automação de funções perigosas e repetitivas, permitindo que funcionários assumam trabalhos menos arriscados e de maior qualificação. O.P. Skaaksrud, vice-presidente de tecnologia avançada e inovação da FedEx, explicou que a descarga em massa é ideal para robôs porque, embora exija tomada de decisões, é menos complexa do que tarefas como a seleção individual de pacotes específicos.

"Por termos uma variedade tão grande de pacotes, especializar a coleta individual simplesmente não será rápido o suficiente", disse Skaaksrud. A empresa iniciará um programa piloto com os robôs Scoop ainda este ano, com planos de escalar a tecnologia se os resultados forem positivos.

Estratégia de parcerias ampla

A Berkshire Grey não é a única parceira da FedEx na corrida pela automação. Nos armazéns, a empresa também trabalha com a Dexterity, startup unicórnio que desenvolve robôs com toque "semelhante ao humano", e com a Nimble, outra unicórnio focada em armazéns totalmente autônomos.

Fora dos centros de distribuição, a FedEx busca automação no transporte. Desde 2021, mantém uma parceria-piloto com a Aurora Innovation para o transporte autônomo de cargas em rotas definidas no Texas, com mais de 3.200 carregamentos já concluídos. A empresa também firmou um compromisso de longo prazo com a Nuro para entregas de última milha autônomas em 2021, embora não trabalhe mais com a companhia após mudança no modelo de negócios desta.

Desenvolvimento interno com resultados mistos

A FedEx também desenvolve tecnologias internamente, como os sistemas de sensores FedEx SenseAware e SenseAware ID para rastreamento de pacotes. No entanto, Skaaksrud faz uma distinção clara: desenvolver robótica é um desafio de outro nível. "É muito melhor e mais rápido fazer parceria com outras empresas da área para avançar mais rápido", afirmou.

Uma tentativa interna na última milha, o "SameDay Bot" lançado em 2019, não teve sucesso e foi descontinuado alguns anos depois, após receber resistência em cidades como Nova York.

Cautela e foco no propósito

Apesar da corrida pela automação, a FedEx afirma que não busca apenas a tecnologia mais recente. "Não se concentre apenas na tecnologia, porque então vamos falhar", alertou Skaaksrud, descrevendo o processo como um "xadrez 3D" que exige resolver componentes menos glamourosos da operação.

Por focar em áreas com retorno sobre investimento (ROI) claro e na integração segura com humanos, a empresa demonstra ceticismo em relação aos humanoides robóticos no curto prazo. "A orquestração de múltiplos humanoides em um espaço limitado e altamente dinâmico... você sabe como é difícil", ponderou Skaaksrud, reconhecendo o potencial a longo prazo, mas enfatizando a necessidade de ajuste ao propósito.

Para a empresa, o hardware em si é secundário. Skaaksrud argumenta que os caminhões da FedEx são apenas caminhões; o que faz a empresa é a rede e a inteligência por trás de sua malha de entregas.