Fika Jobs capta US$ 4 milhões para plataforma de contratação com IA e vídeo
Startup sueca cria perfis em vídeo com entrevistas por IA, combinando elementos de LinkedIn e TikTok para recrutamento.
A startup sueca Fika Jobs anunciou nesta terça-feira (data) a captação de US$ 4 milhões em rodada pré-seed para desenvolver uma plataforma de recrutamento que substitui currículos tradicionais por perfis em vídeo gerados por inteligência artificial (IA). A proposta é criar uma experiência que mescla características do LinkedIn e do TikTok, focada em candidatos e empresas.
Fundada pelos irmãos Jakob Dubois (CEO) e Alexander Dubois (CTO), a empresa busca resolver um problema comum no mercado de trabalho: a dificuldade de avaliar habilidades interpessoais e potencial de candidatos apenas por meio de currículos e cartas de apresentação. "Quase deixamos de contratar um candidato porque o currículo dele não se destacava", disse Jakob Dubois ao TechCrunch.
Como funciona a plataforma
O processo começa quando o candidato conecta seu perfil do LinkedIn à plataforma. A IA da Fika Jobs analisa o histórico profissional e gera perguntas personalizadas para uma entrevista. O candidato então grava um vídeo de aproximadamente 10 minutos respondendo às perguntas, atualmente utilizando os modelos Gemini, do Google.
Após a entrevista, a IA transforma automaticamente as respostas em clipes de vídeo curtos e os organiza em um perfil. Diferente do modelo tradicional, em que o candidato precisa se inscrever para cada vaga, a plataforma mantém um perfil "vivo" que pode ser descoberto por empregadores a qualquer momento.
Diferenciais e riscos
A Fika Jobs se diferencia de concorrentes como Alex, Maki e Mercor, que focam em ajudar empresas a triar candidatos. A startup constrói um banco de talentos onde os empregadores podem buscar pessoas que já passaram por entrevistas e avaliações de IA.
A abordagem pode ser especialmente útil para profissionais em início de carreira ou de origens não tradicionais, cujo potencial nem sempre é evidente em um currículo. No entanto, especialistas alertam para riscos de viés: ao permitir que recrutadores vejam raça, idade, gênero, aparência física e sotaque antes de avaliar qualificações, a plataforma pode abrir portas para discriminação.
Modelo de negócios e expansão
A plataforma é gratuita para candidatos. As empresas não pagam adiantado, mas a Fika Jobs cobra 10% do salário anual do candidato contratado — valor inferior aos 20% a 30% cobrados por recrutadores tradicionais.
Mais de 100 empresas estão na lista de espera, segundo os fundadores. Cerca de 50 companhias já testaram a plataforma, incluindo Plenty Labs, SICS.ai, Kognity e Rebtel.
O acesso antecipado para candidatos começa nesta semana, com lançamento público previsto para o outono do hemisfério norte. A empresa vai começar na Suécia antes de expandir internacionalmente. A equipe atual é pequena, mas deve chegar a 10 funcionários até o fim do ano.
A rodada foi liderada pela Luminar Ventures, com participação da Alliance VC e dos cofundadores da King (criadora do Candy Crush), Sebastian Knutsson e Riccardo Zacconi.
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